Por que a geração Y tem buscado respostas no misticismo?

geraçãoCada geração, ao longo de sua trajetória, tem que se defrontar com perguntas existenciais que geram dúvidas, insegurança e medo. Por que a geração Y tem buscado respostas no misticismo?

 

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mundo nunca mostrou seu rosto plural como atualmente. Inclusive, esse fator está se tornando a característica principal de nossa sociedade: pluralidade cultural, religiosa, multiplicidade geracional, etc. Frente à esta realidade, que mostra a diversidade como elemento inseparável da identidade contemporânea, duas atitudes estão sendo tomadas: a de considerar a diversidade como ameaça à própria identidade (pessoal, regional, nacional) e a de considerar a diversidade como um valor; portanto, uma oportunidade inédita para construir algo novo.

Olhando para a multiplicidade geracional, temos uma visão “caleidoscópica”: muda continuamente e com intervalos de tempo cada vez menores, como uma dança coreográfica. Suscita comentários positivos de apreciação e valorização, mas também o lado negativo de repulsa e desconforto perante as “coreografias” apresentadas. Entretanto, o curioso é que, na “plateia” onde se observa essas “danças”, há três tipos de “olheiros” que prestam muita atenção às “danças” de cada geração; há os olheiros do marketing, das corporações/empresas e das religiões/“pseudo-religiões”, todos interessados em encontrar brechas para realizar os próprios interesses.

geracaoOs olheiros do marketing estão sempre interessados em buscar, entre os desejos das novas gerações, novos nichos de mercado. Os olheiros das corporações/empresas se debruçam sobre as capacidades e habilidades das diversas gerações a fim de atender às demandas específicas das próprias empresas. Os olheiros das religiões/“pseudo-religiões” se questionam a fim de encontrar estratégias para dialogar com essas gerações visando um proselitismo – de baixa qualidade – oferecendo “curas”, “libertação”, “sucesso” e “riqueza”. Porém, naquela mencionada “plateia” há também pessoas que, frente à diversidade e valorizando a mesma, se posicionam de um jeito totalmente diferente e com interesses universais, acreditando que certas características das novas gerações são um potencial para o bem da humanidade.

Considerando a geração Y ou Millennials, que compreende os nascidos entre o período da década de 1980 até o começo dos anos 2000, há um elemento de extrema importância, que é sempre necessário salientar. Nos anos 1960, o filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan, tendo como referenciais o rádio, os primeiros programas televisivos em preto e branco e o telefone analógico, formulou o conceito de “Aldeia Global”; isto é, as novas tecnologias eletrônicas da informação estavam encurtando as distâncias. Décadas depois, de fato, a geração Y ou Millennial, continuamente conectada nas redes sociais, consegue levar essa “Aldeia Global” na palma da mão – por meio do smartphone – com possibilidades de conexões ilimitadas e dentro de um espaço de tempo ínfimo.

Esse grande potencial, oferecido pela tecnologia da informação, do qual a geração Y se apoderou, seria um grande instrumento para iniciar a construção de “pontes virtuais”, superando e derrubando os muros da vergonha que estão sendo construídos no mundo, separando povos e famílias em nome da “segurança nacional”.

Essas pontes virtuais que a geração Y poderia construir seria um meio poderosíssimo para viabilizar um encontro com o Outro – outra cultura, outra religião, outra visão de mundo –, no intuito de derrubar as barreiras do ódio, do preconceito, da intolerância e construir a “Cultura de Paz”. Como cantava Raul Seixas, “sonho que se sonha só é só um sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Não podemos esquecer que, cada geração, além de ter suas características positivas, apresenta limites e fragilidades. Falando a respeito da geração Y ou Millennial é possível encontrar diversos artigos que, justamente ou injustamente, sustentam que essa geração “fecha” com o “Misticismo Millennial”: uma salada de astrologia, horóscopos, tarô, numerologia, cristais, chacras, etc.

Vale a pena lembrar que, cada geração, ao longo de sua trajetória, tem que se defrontar com perguntas existenciais que geram dúvidas, insegurança e medo. São as clássicas perguntas que qualquer homem e mulher, a um certo ponto da vida ou por motivos contingentes, vai se fazer: “quem sou eu?”; “de onde venho?”; “para onde vou?”.

A geração Y, que domina a web e as redes sociais, pode sofrer a tentação de procurar respostas naquilo que lhe é oferecido no âmbito da internet. O problema é que, por trás de múltiplas ofertas, muitas vezes, se escondem apenas estratégias de marketing.

Dessa forma, as respostas serão sempre aquém do esperado, respostas simples para problemas complexos; portanto, ineficazes e com potencial para deixar profundas frustrações.

É verdade que, nós, humanos, estamos mergulhados num mundo extremamente complexo, tecido de infinitas conexões e interações e não podemos negar que – de certa forma – nossa existência interage com tudo isso. O kósmos (cosmo), o universo onde o homem habita, é um “ser vivo” que manda suas mensagens por meio das ondas gravitacionais (definidas como a “sinfonia do universo”), previstas em 1916 por Albert Einstein e detectadas em 2015. É algo maravilhoso que nos faz entender que a busca do homem para conhecer as leis do mundo deveria alcançar, cada vez mais, uma harmonia entre o ser humano e o kósmos (cosmo); e não ao contrário, visar o domínio da natureza para alcançar objetivos mesquinhos e consumistas.

Enfim, vale a pena fazer memória dos nossos velhos, pais e avôs, que trabalhavam na lavoura. Como sabiam relacionar, com sabedoria, os tempos da semeia, da colheita e outros afazeres com as fases da lua e dos astros! E, tudo isso, fruto de um profundo respeito à natureza, procurando entender as conexões e inter-relações no mundo e no kósmos, visando um trabalho frutífero e, o mais importante: o bem da comunidade.

Voltando à geração Y ou Millennial, o que podemos dizer? Além de construir “pontes virtuais” para a construção da “Cultura de Paz” seria interessante fugir de certas manipulações escondidas nesse “misticismo barato” para se aventurar, por meio das redes sociais, numa proposta audaciosa: ser artífice de uma verdadeira “contracultura”, em oposição ao paradigma dominante – que continua fazendo vítimas.

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