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200 anos do beato missionário

O beato Mazzucconi e a Igreja da Papua-Nova Guiné hoje – Neste ano recordam-se os duzentos anos do nascimento do missionário italiano assassinado na ilha de Woodlark, em 1855. Por ocasião da data, os bispos da Papua-Nova Guiné e das Ilhas Salomão pediram, nos últimos dias, ao ex-superior geral do PIME, padre Ferruccio Brambillasca, que refletisse sobre a atualidade do testemunho daquele que foi o primeiro mártir do instituto. Publicamos a seguir amplos trechos de sua intervenção.

Assembleia da CNBB em Aparecida - Foto de arquivo
Assembleia da CNBB em Aparecida - Foto de arquivo

Vida e martírio missionário

Morto aos 29 anos na ilha de Woodlark e proclamado beato em 1984, Giovanni Battista Mazzucconi é o primeiro mártir entre os missionários do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras. Neste ano, celebram-se os 200 anos de seu nascimento, ocorrido em Lecco, em 1º de março de 1826. O aniversário é celebrado tanto na Itália quanto na Papua-Nova Guiné, nação à qual ele entregou a vida. Foi nesse contexto que os bispos da Conferência Episcopal da Papua-Nova Guiné e das Ilhas Salomão convidaram padre Brambillasca, hoje missionário na diocese de Fukuoka, a refletir sobre o que essa figura ainda pode ensinar à Igreja de hoje.


Testemunho até o fim

Nos 175 anos de história do PIME, 19 missionários morreram em circunstâncias violentas. Ao receber a cruz missionária, eles repetem palavras escritas por Mazzucconi: «Bem-aventurado será o dia em que me for pedido sofrer pelo Evangelho. Mas ainda mais bem-aventurado será o dia em que eu for digno de dar a minha vida por ele».

Quando chegou a Woodlark, escreveu: «A missão significa estar próximo das pessoas e aprender a sua língua. Depois, quando Deus quiser, falaremos a elas d’Ele». A missão não começa com palavras, mas com presença; não com ensinamento, mas com escuta.


Fracasso que é sucesso

Mazzucconi também experimentou fracasso, sofrimento e desânimo. Escreveu: «Alguém poderia pensar que este ano não fizemos nada. Mas eu vos digo que fizemos muito, porque sofremos muito».

Do ponto de vista humano, sua missão parecia um fracasso. Mas, do ponto de vista espiritual, foi um sucesso. Sua vida ensina que o sucesso aos olhos de Deus não é o mesmo que o sucesso aos olhos humanos.

Também o bispo Panfilo escreveu: «Do ponto de vista humano, a primeira missão em Woodlark e nas Ilhas Rook terminou em tragédia. Parecia um fracasso completo. Mas, espiritualmente, foi um grande sucesso».


Onde está a casa

Às vezes, surge a pergunta: onde está a nossa verdadeira casa? Todos precisamos de um lugar de pertencimento. Mas, para o missionário, a casa não é apenas um lugar físico: é algo interior. Quando há paz dentro de nós, podemos nos sentir em casa em qualquer lugar.

Mazzucconi encontrou essa paz também na Papua-Nova Guiné, mesmo em meio às dificuldades. Por isso, aquele lugar tornou-se sua casa.


Missão sem fronteiras

Para onde Jesus nos envia? Não há limites nem fronteiras. O Evangelho é para todos. Foi por isso que Mazzucconi voltou a Woodlark após se recuperar de uma doença, mesmo sabendo das dificuldades.


Espiritualidade missionária viva

O que podemos aprender de sua espiritualidade?

• Coragem e humildade• Amor pela cruz• Alegria nas dificuldades• Paciência e esperança• Espírito de sacrifício• Fé radical• Fidelidade ao Evangelho

Ele deu tudo. Não muitos resultados visíveis, mas uma entrega total de si.


Memória que transforma

Falar do beato Mazzucconi no lugar onde deu a vida não é apenas recordar o passado. Sua vida nos interpela e pode nos transformar. A Igreja vive de uma memória viva, que molda o presente e orienta o futuro.


A Igreja na Papua-Nova Guiné nasceu não de estruturas, mas de encontros, viagens e vidas doadas. Entre essas vidas, Mazzucconi ocupa um lugar especial.


Chamados à santidade

Antes de tudo, somos chamados à santidade. Ela significa viver plenamente o amor, de forma concreta e cotidiana. Todos são chamados a testemunhar — não apenas sacerdotes ou bispos, mas todos os batizados.

O martírio é a forma mais alta desse testemunho. Mas a vida cotidiana também é um testemunho: é preciso aprender a “morrer para si mesmo” todos os dias.


Chamados à esperança

Somos também chamados à esperança. Como diz a frase atribuída a Martinho Lutero: «Se soubesse que o mundo acabaria amanhã, ainda assim plantaria uma macieira».

A esperança confia em um futuro bom, mesmo diante da cruz. É a certeza de que Deus continua caminhando conosco.


Chamados ao misticismo

A Igreja é chamada a ser também mística. Como recorda Thomas Menaparampil, o martírio é uma forma de profunda união com Cristo.

Não é apenas sofrimento: é encontro íntimo com Ele. Cristo está presente onde a Igreja sofre.


Chamados à cruz

Por fim, somos chamados a ser uma Igreja crucificada. Jesus manifesta seu poder não dominando, mas entregando a própria vida.

A Igreja não deve buscar prestígio, mas refletir Cristo crucificado: humildade, serviço e amor que aceita sofrer.

Como recorda Papa Francisco: «A Igreja é a Igreja dos mártires». E há também os mártires escondidos, que vivem a fidelidade no cotidiano, mesmo sendo incompreendidos ou perseguidos.


Conclusão: a força do testemunho

O martírio do beato Mazzucconi recorda uma verdade essencial: a Igreja cresce pelo testemunho, não pelo poder ou sucesso.

Para a Igreja da Papua-Nova Guiné e das Ilhas Salomão, isso significa construir comunidades enraizadas no Evangelho, abertas à missão e firmes nas provações. Mazzucconi plantou uma semente com a sua vida. Cabe agora a nós fazê-la crescer.


Por Ferruccio Brambillasca - Mondo e Missione - Tradução e adaptação Valesca Montenegro - redação Mundo e Missão

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