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A coragem de recomeçar

Ex-superiora geral das Missionárias da Imaculada, Irmã Rosilla foi enviada à Papua-Nova Guiné, onde descobriu que a missão também é para os menos jovens.

Ir. Rosilla (@MdI)
Ir. Rosilla (@MdI)

Ela foi a primeira religiosa originária da Índia a ser eleita superiora geral das Missionárias da Imaculada, cargo que exerceu de 2006 a 2016. Aotérmino de seus dois mandatos, porém, a Irmã Rosilla Velamparambil, hoje com 78 anos, decidiu se colocar novamente em jogo, desta vez em um contexto desconhecido e desafiador como o da Papua-Nova Guiné.

Ela partiu para a missão de Alotau, na diocese de mesmo nome, que se estende por cerca de 600 ilhas. Ali, voltou a se dedicar ao campo da formação. Antes, porém, ela mesma precisou aprender a língua, a cultura, as tradições e os costumes dos povos aos quais foi enviada. A seguir, seu testemunho.


Um novo envio missionário

Para o nosso Instituto, um envio missionário sempre foi uma celebração sagrada. Não é apenas uma designação, mas um verdadeiro momento de graça, um sinal visível de que nossa vocação missionária está viva. Deixar a própria pátria, o ambiente familiar e aventurar-se no desconhecido nunca é fácil. E, ainda assim, esse é o coração daquilo que somos.


Durante muitos anos, acreditei que essas partidas eram destinadas principalmente às irmãs mais jovens. E, muitas vezes, era assim. Mas, durante o X Capítulo Geral, surgiu uma nova abertura: também aquelas que se encontram na meia-idade poderiam ser enviadas para novas fronteiras.


Eu já havia ultrapassado essa faixa etária. Ainda assim, no mais profundo de mim, percebia que o Evangelho não mede a disponibilidade com base na idade. E sabia bem que, quando o Senhor confia uma missão, também concede a força necessária para realizá-la.


Um convite ainda inesperado

Nos últimos dias do Capítulo, comecei a perceber que era envolvida em muitas conversas gentis, o que me sugeria que meu nome estivesse sendo considerado para uma nova missão. Eu escutava em silêncio, sem me permitir pensar muito sobre isso... mas aquela possibilidade permanecia dentro de mim. Pouco tempo depois, enquanto participava do Programa Sabático no East Asian Pastoral Institute (Instituto Pastoral do Leste Asiático), recebi uma mensagem da superiora geral. Ela queria conversar sobre a possibilidade de eu ir para a Papua-Nova Guiné, onde havia necessidade de ajuda na área da formação.


Meu coração, como podem imaginar, experimentou ao mesmo tempo uma imensa alegria e um grande senso de responsabilidade. Acolhi a ideia com entusiasmo, mas sabia que dar uma resposta exigia um discernimento sincero.


O discernimento na oração

Felizmente, ou por Providência, naquele período estávamos prestes a iniciar nossos exercícios espirituais. No silêncio da oração, apresentei a proposta ao Senhor. Reconhecia muitas razões concretas para aceitar, enquanto eram apenas pequenos temores que me impediam de avançar. Aos poucos, percebi que o desejo que se agitava em meu coração não era simplesmente meu: era um convite de Deus.

Essa clareza me encheu de profunda paz e de uma energia renovada. Compreendi que a vocação não diminui com o passar do tempo; ela se aprofunda.


Aprender novamente com os jovens

Chegar à Papua-Nova Guiné foi uma experiência enriquecedora e, ao mesmo tempo, exigente. Fui enviada para a comunidade de Alotau, que funcionava tanto como casa de formação quanto como centro de passagem para as comunidades das ilhas.

Tudo era novo: a língua, os costumes, o ritmo cotidiano da vida. Os primeiros meses foram, verdadeiramente, um período de adaptação.

As jovens em formação tornaram-se minhas mestras, guiando-me pacientemente no aprendizado do pidgin e ajudando-me a compreender a cultura local. Tornar-me novamente aprendiz não foi fácil no início, mas me permitiu redescobrir a beleza da simplicidade e da abertura.


A missão nasce do encontro

Outra porta de entrada na comunidade foi acompanhar a Irmã Rita Palma nas aulas de sábado com os Filhos de Maria. Por meio das crianças, cheguei a conhecer suas famílias. Graças às suas perguntas e à sua fé, encontrei Cristo de maneiras novas.


Comecei a participar dos terços na vizinhança, das preparações para a liturgia dominical e das visitas aos doentes em suas casas e nos hospitais, levando a Santa Comunhão e oferecendo uma presença.

Cada pequeno passo de envolvimento me ajudou a passar de estrangeira a alguém que fazia parte do caminho daquela gente.

No fim, a missão não consiste em fazer coisas extraordinárias. Consiste em estar disponível, escutar, caminhar juntos e compartilhar a vida.


A coragem de dizer sim

Olhando para trás, compreendo mais profundamente o que significa verdadeiramente a coragem apostólica. Ela não é barulhenta nem dramática. É a força silenciosa de dizer “sim” quando o Senhor nos convida a ir além da nossa zona de conforto.

É a disponibilidade para recomeçar, mesmo quando outros podem pensar que nosso tempo para novos começos já passou. É confiar que a graça do Senhor é sempre maior do que nossas limitações.


A missão continua aberta

Hoje posso dizer, com gratidão, que esse “sim” corajoso trouxe uma profunda realização. Ao me entregar à missão, recebi uma fé muito mais profunda, horizontes mais amplos e uma alegria renovada em minha vocação. A coragem apostólica me ensinou isto: enquanto o coração permanecer aberto, a missão continua. E, nesse “sim” constante, encontram-se a paz e a alegria duradouras.


Por ir. Rosilla Velamparambil - texto publicado originalmente na Mondo e Missione - tradução e adaptação Valesca Montenegro

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