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Amazônia: num barco, a esperança e a consolação de Cristo

A Irmã Márcia Lopes Assis, em missão na região de Juruti-Pará, na Amazônia brasileira, participou como voluntária de algumas expedições do Barco-Hospital Papa Francisco. A religiosa conheceu uma Igreja Samaritana que oferecia a cura do amor: "há um propósito que dá sentido a estar onde você está e a fazer o que você faz. Que nada nos impeça de ser missão onde a Providência nos colocar e que o amor seja o motor de tudo".


A Ir. Márcia Lopes Assis em frente ao “Barco-Hospital Papa Francisco”, com frei Afonso Lambert
A Ir. Márcia Lopes Assis em frente ao “Barco-Hospital Papa Francisco”, com frei Afonso Lambert

A Irmã Márcia Lopes Assis, da Congregação das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, desempenha a sua atividade pastoral na paróquia de Nossa Senhora da Saúde, em Juruti-Pará do Amazonas, pertencente à diocese de Óbidos, no Brasil. Ela afirma que a sua "vocação é missionária desde o início" e, ao longo do seu caminho, o bom Deus sempre a surpreendeu em cada experiência de missão que lhe permitiu viver:


"Todas foram experiências extraordinárias e intensas, e estou muito grata por elas. Juruti não é diferente, representa uma experiência maravilhosa que me permitiu redescobrir a essência da minha vocação e do carisma da nossa fundadora, que trago dentro de mim. Aqui, a casa não assume as conotações que tem em outros lugares, onde a imaginamos como algo estático, que satisfaz todas as nossas necessidades e onde estamos ao abrigo dos perigos externos. Aqui, a casa pode estar num barco a remo ou numa rede amarrada a uma mangueira, na rua, debaixo de um toldo aberto ou até dentro da própria sacristia".


A religiosa com as crianças da Ilha de Santa Rita, na Amazônia brasileira
A religiosa com as crianças da Ilha de Santa Rita, na Amazônia brasileira

As crianças, as melhores mestras

A consagrada desempenha várias atividades, entre as quais, a de consultora do Conselho Missionário Paroquial (Comipa) - pastoral que abrange a exortação do Papa Francisco a ser “Igreja em saída”, Igreja missionária. O objetivo do Comipa é atender as 78 comunidades que compõem o setor paroquial, especialmente as mais distantes, frágeis e carentes, que ficam a mais de 60 km de distância.


Atravessar o rio Amazonas, comenta a Irmã Márcia, "não é uma tarefa fácil. Durante a visita missionária, quando chegamos à comunidade de Santa Rita, fui recebida pelas crianças, muito tímidas e assustadas com a chegada de um estranho, mas rapidamente fizemos amizade. Algumas têm medo porque pensam que sou enfermeira ou dentista; outras dizem que sou professora, mas quase todas ficam encantadas, permanecem perto de mim, dizem que também elas serão religiosas quando crescerem".

Em sinal de agradecimento, as crianças propuseram à religiosa ensinar-lhe a remar. "Nas crianças, encontrei as melhores mestras", acrescenta.


Desafiar a natureza

Um dos numerosos desafios apresentados pela região onde a Irmã Márcia desempenha a sua missão é o problema da “terra caída”, ou seja, ilhas que desapareceram devido à força constante das águas. Isto faz com que algumas casas fiquem submersas e muitas famílias devem transferir-se até que o nível da água volte a diminuir. Esses eventos fazem com que a educação não siga o calendário civil, mas o calendário das águas. As crianças vão à escola de barco.


Dormir numa rede ao som da água do rio, não dispor sequer de um telemóvel, entre outras experiências, ajudaram a consagrada a experimentar a compaixão e a aprender uma grande lição: "aceitar as coisas tal como elas são", e dar graças pelo testemunho de força, esperança e resiliência das famílias.


Um barco portador de esperança

A consagrada participou das 52ª e 74ª expedições do "Barco-Hospital Papa Francisco". Naquela ocasião, junto com um grupo de 35 colaboradores, incluindo 10 médicos, 2 dentistas e um sacerdote, Pe. Alfonso Lambert, eles realizaram a tarefa pastoral de assistência humanitária, defendendo a vida e evangelizando com simplicidade e amor.


O dia no barco começa muito cedo, com a celebração da missa. Depois, os especialistas visitam as pessoas com base nos vários problemas de saúde. "Dedico-me ao acolhimento das famílias, à evangelização das crianças, ao acompanhamento dos doentes após uma intervenção cirúrgica ou às visitas, quando não se podem deslocar. Distribuo a Eucaristia aos enfermos", conta a Irmã Márcia.

Nas expedições, realizaram cirurgias simples: alguns pacientes estavam esperando há 8 anos. Ao longo do caminho, visitaram a região de Aritapera e a região indígena de Mamuru. "Podemos fazer uma analogia entre o Barco-Hospital e Jesus: assim como levavam todos os doentes até ele para serem curados, o mesmo acontecia com o Barco-Hospital", diz Ir. Márcia.


A Ir. Márcia leva a comunhão aos doentes na Ilha de São Sebastião

Naqueles dias, a religiosa conheceu uma Igreja Samaritana que oferecia a cura do amor: "há um propósito que dá sentido a estar onde você está e a fazer o que você faz. Que nada nos impeça de ser missão onde a Providência nos colocar e que o amor seja o motor de tudo", conclui ela.


Por Débora Evangelina Vargas - Reprodução Vatican News

Fotos: Reprodução Vatican Media

 

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