Ataque contra paróquia em Gaza, padre Romanelli ferido
- Editora Mundo e Missão PIME
- 21 de jul.
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Um bombardeio israelense atingiu a igreja católica da Sagrada Família na manhã de quinta-feira (17/07), segundo o Patriarcado Latino de Jerusalém, várias pessoas ficaram feridas, incluindo o pároco, algumas das quais estão em estado grave.

De acordo com as primeiras notícias de agência, citando fontes médicas do Hospital Al-Ahli, na Cidade de Gaza, há dois mortos (duas mulheres) e seis feridos graves. O pároco, padre Gabriel Romanelli, também sofreu ferimentos leves numa perna e recebeu tratamento médico no hospital local antes de retornar à sua comunidade.
O Exército Israelense atingiu a paróquia da Sagrada Família em Gaza esta manhã, resultando em três mortos e pelo menos seis feridos, incluindo o pároco, Padre Gabriel Romanelli. Dom William Shomali, vigário patriarcal para Jerusalém e Palestina, comentou à AsiaNews: "Dirão que não foi intencional, sempre encontrarão uma desculpa, mas a guerra é assim, sempre causa danos e vítimas." Ele enfatizou que o ataque a uma igreja é "sempre um fato terrível e escandaloso".
Entre os feridos graves estão seis cristãos, dois deles em estado crítico. O Padre Romanelli também teria sido levemente ferido em uma perna. A igreja sofreu danos significativos, especialmente no telhado, onde a cruz estava localizada.
A paróquia da Sagrada Família tem sido um símbolo de acolhimento na Faixa de Gaza, recebendo não só cristãos, mas toda a população. Por isso, já havia sido alvo do exército israelense, que havia bombardeado a área circundante em várias ocasiões e atingido uma escola administrada pelo Patriarcado Latino. Além disso, duas mulheres cristãs, incluindo uma idosa, foram mortas por um atirador israelense. No início de julho, o próprio Padre Romanelli descreveu as condições em Gaza como "uma gaiola, onde as bombas também matam a esperança".
Dom Shomali destacou que a paróquia, que já abrigou até 600 pessoas e atualmente acolhia pouco mais de 400, "estava fazendo muito pela população". O ataque é considerado "terrível", especialmente porque a igreja também abriga crianças com deficiência sob os cuidados das Irmãs Missionárias da Caridade. "Nós somos responsáveis pela alimentação delas", afirmou o vigário patriarcal.
Desafios no Envio de Ajuda Humanitária e Motivações do Ataque
Os esforços para enviar ajuda alimentar à paróquia e aos vizinhos são incertos devido aos constantes perigos. O Papa Francisco sempre demonstrou preocupação pela paróquia, ligando para o Padre Romanelli mesmo durante sua internação hospitalar. Para Dom Shomali, a razão do ataque é simples e dramática: "Provavelmente querem fazer com que todos saiam do norte, incluindo nossos cristãos que até agora não quiseram se mover." Ele acredita que, se deixarem o complexo da igreja, os cristãos se sentirão "mais indefesos".
Provocações de Colonos na Cisjordânia
Em um contexto relacionado, o Padre Bashar Fawadleh, pároco latino de Taybeh, na Cisjordânia, denunciou à AsiaNews que colonos voltaram a pastorear gado nas terras onde fica a igreja de al-Khader, poucos dias após um dia internacional de solidariedade. Taybeh tornou-se um símbolo da violência dos colonos nos Territórios Ocupados. Em 14 de julho, uma delegação de líderes religiosos, incluindo o Cardeal Pierbattista Pizzaballa e o Patriarca Teófilo III, visitou a área para expressar solidariedade e denunciar os "graves assédios, intimidações e danos às terras agrícolas" que, segundo eles, foram "facilitados" ou "favorecidos" pelas autoridades israelenses.
Violação da Santidade da Igreja de Al-Khader
Para os cristãos de Taybeh, o ato de hoje é uma "flagrante violação da santidade da igreja histórica de Al-Khader". Uma fonte descreveu a cena como "chocante e dolorosa", com colonos invadindo a igreja e levando gado para o santuário. A igreja de Al-Khader, uma das mais antigas da região, tem grande significado religioso e histórico, mas não foi poupada dos ataques dos colonos, que são vistos como "provocações contínuas e tentativas de impor uma realidade de assentamento através da força e do racismo".
Escalada de Ataques em Taybeh
Há pelo menos três semanas, o vilarejo de Taybeh, habitado exclusivamente por cristãos e localizado na Cisjordânia, tem sido alvo de uma escalada de ataques. Em 7 de julho, fanáticos atearam fogo perto do cemitério e da histórica igreja de São Jorge, do século V. A comunidade de Taybeh, com cerca de 1.500 habitantes de três confissões cristãs, está preocupada com seu futuro. Embora a violência tenha começado antes de 7 de outubro de 2023, a guerra em Gaza e os conflitos com o Irã "deixaram campo livre para colonos e extremistas que operam na mais total impunidade."
Apelo à Comunidade Internacional
Os moradores de Taybeh expressaram seu choque e indignação, afirmando que "levar animais para a igreja não é apenas um ataque à propriedade religiosa, mas um insulto deliberado aos sentimentos dos crentes e uma profanação de seus símbolos sagrados". Eles consideram o ocorrido uma "grave escalada que não pode ser ignorada" e apelam à comunidade internacional e aos organismos eclesiásticos para agirem imediatamente, a fim de proteger os locais sagrados "dessas práticas racistas que afetam os valores humanos antes de qualquer outra coisa." O que aconteceu na igreja de Al-Khader hoje "não é apenas um ataque, é uma ferida aberta na consciência da humanidade."
Por Redação Mondo e Missione - Tradução e adaptação redação Mundo e Missão
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