Beirute: nossa escola sob as bombas
- Editora Mundo e Missão PIME
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- 10 de mar.
- 3 min de leitura
A retomada dos bombardeios israelenses sobre o Líbano voltou a atingir também os bairros do sul de Beirute. Ali, as irmãs de Santa Joana Antida Thouret foram obrigadas a fechar a escola que mantêm na região, depois que quase todas as famílias dos alunos tiveram de fugir em busca de segurança. Elas, porém, decidiram permanecer no local. A seguir, o testemunho enviado pela irmã Wafaa Rached e por suas companheiras de comunidade.

Educação na periferia de Beirute
No início desta semana publicamos uma reportagem sobre as irmãs de Santa Joana Antida Thouret, presentes na periferia sul de Beirute, reduto da milícia libanesa xiita Hezbollah.
Ali elas continuam levando adiante uma preciosa missão educativa, dedicada sobretudo a formar os jovens para a convivência.
Com a retomada dos bombardeios israelenses sobre o Líbano — que atingiram também esses bairros da capital — as religiosas foram obrigadas a fechar a escola, já que muitas famílias tiveram de abandonar suas casas e buscar refúgio em outros lugares. Mesmo assim, as irmãs decidiram permanecer na região, ao lado da população.
Famílias em fuga e casas destruídas
“Queríamos dedicar um tempo para escrever e atualizá-los sobre nossos estudantes e sobre a nossa escola neste período particularmente difícil que o Líbano está atravessando.
Há vários dias, nossa região vive ao ritmo dos bombardeios. Nossa escola está localizada na borda da periferia sul de Beirute (Dahye), uma área fortemente atingida pelos ataques. Dia e noite, o som das explosões ecoa perto de nós. Essa realidade abalou profundamente a vida de nossas famílias e de nossos estudantes.
De acordo com um levantamento realizado uma semana após o início dos ataques, 122 famílias de nossa comunidade escolar tiveram de deixar a região às pressas para buscar refúgio em outros lugares. Algumas partiram com pouquíssimo, deixando para trás suas casas, suas lembranças e, às vezes, até mesmo seus pertences pessoais.
Entre elas, 22 famílias tiveram suas casas gravemente danificadas ou completamente destruídas pelos bombardeios.
Crianças deslocadas e ensino interrompido
Muitas crianças estão atualmente deslocadas, vivendo temporariamente com parentes ou em abrigos, às vezes sem material escolar e até sem roupas suficientes.
Nesse contexto, a escola teve de fechar as portas para as aulas presenciais, a fim de garantir a segurança dos estudantes e da equipe. Tentamos continuar o ensino de forma online, mas a situação permanece muito complicada.
Muitos estudantes foram deslocados; alguns não têm mais acesso à internet, outros perderam seus pertences ou vivem em condições que nem sempre permitem acompanhar as aulas.
Apesar de tudo, nossos professores continuam profundamente comprometidos. Eles procuram, na medida do possível, manter contato com os estudantes, encorajá-los e oferecer um mínimo de estabilidade em um período marcado pelo medo, pela incerteza e pelo deslocamento.
Esperança em meio à guerra
Além das dificuldades materiais, existem também as feridas invisíveis que atingem nossas crianças: o medo dos bombardeios, a preocupação com seus familiares e a angústia de não saber quando poderão voltar para casa, para seus bairros, para suas escolas e para seus amigos.

Nestes tempos difíceis, o apoio de vocês tem um valor ainda maior. Ele é um sinal de esperança: mesmo à distância, há pessoas que continuam acreditando no futuro dessas crianças. Mesmo em meio à guerra, a escola permanece como um sinal de esperança para essas crianças — e como lembrança de que alguém continua acreditando no futuro delas.
Que Deus os proteja e os abençoe.
Com nossa mais profunda gratidão e reconhecimento,
A Direção e o corpo docente
Por redação Mondo e Missione - Tradução e adaptação Mundo e Missão
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