Esperança para a África
- Editora Mundo e Missão PIME
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- 13 de abr.
- 3 min de leitura
Após a Argélia, o Papa Leão XIV viajará para três países da África Subsaariana: Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Contextos muito diferentes, mas marcados por desafios comuns: o fortalecimento da fé, a busca pela paz social e o futuro dos jovens.

Visita em meio aos conflitos
«Camarões é a segunda casa do Papa!». Brinca — mas não muito — o secretário da Conferência Episcopal camaronesa, monsenhor Paul Nyaga, ao comentar a quarta visita de um pontífice ao país. Após as viagens de João Paulo II em 1985 e 1995 e de Bento XVI em 2009, será a vez do Papa Leão XIV, de 15 a 18 de abril. Além da capital Yaoundé, o Papa visitará Douala e Bamenda, esta última situada em uma região marcada por um dos conflitos mais esquecidos do mundo. «O Papa é um campeão da paz de que tanto precisamos neste momento», afirma Nyaga.
Presença missionária no país
Os missionários do PIME atuam no país desde 1967, especialmente nas regiões mais pobres do extremo norte, como as dioceses de Maroua e Yagoua. São territórios ricos em cultura e diversidade religiosa — com maioria muçulmana — mas também marcados por inúmeras dificuldades.
Raízes de um conflito
Nos últimos dez anos, as regiões do Noroeste e Sudoeste, na fronteira com a Nigéria, enfrentaram um conflito devastador. Com raízes no período colonial, a crise se intensificou em 2016 após a repressão violenta de protestos, dando origem a uma revolta separatista.
O resultado é dramático: milhares de mortos, centenas de vilarejos destruídos, mais de um milhão de refugiados e cerca de 500 mil deslocados internos. Escolas ficaram fechadas por cinco anos, comprometendo o futuro de uma geração inteira.
Caminhos de reconciliação
«Hoje a situação é mais calma», afirma o arcebispo de Bamenda, Andrew Fuanya Nkéa, também presidente da Conferência Episcopal. Ele participou de iniciativas de mediação junto a líderes muçulmanos e cristãos. Com o apoio do Papa Francisco, avanços importantes foram alcançados. «A visita do Papa Leão é um sinal de esperança», afirma.
O desafio do perdão
Apesar da relativa calma política, a situação ainda é difícil fora das cidades. Grupos armados e criminosos continuam atuando.
«É fácil falar de perdão, mas difícil vivê-lo», reconhece o arcebispo. A Igreja enfrenta o desafio de promover reconciliação profunda e acompanhar as vítimas de traumas.
Um sinal de esperança
A visita do Papa também gera debates políticos, especialmente por causa do presidente Paul Biya, no poder desde 1982. Ainda assim, para a Igreja, o momento é oportuno. «O Papa vem dizer não à violência e incentivar o diálogo», afirma Nyaga.
Fé e desafios sociais
A população, incluindo os cerca de 40% de católicos, aguarda com entusiasmo. Em Douala, o Papa encontrará doentes; em Yaoundé, visitará um orfanato. Temas como saúde, educação, famílias fragilizadas e juventude em busca de oportunidades estarão no centro das reflexões. «Precisamos recolocar a dignidade humana no centro», diz Nyaga.
Angola e tensões sociais
Em Angola, a visita acontecerá de 18 a 21 de abril, passando por Luanda, Saurimo e Muxima. O país vive tensões sociais, agravadas por protestos contra o custo de vida, reprimidos com violência. «A falta de perspectivas para os jovens gera desespero», afirma o arcebispo José Manuel Imbamba.
Desigualdade e juventude
Apesar da riqueza do petróleo, grande parte da população vive na pobreza. O país é governado há décadas pelo mesmo partido, o Movimento Popular de Libertação de Angola, favorecendo desigualdades. Muitos jovens optam pela emigração diante da falta de oportunidades.
Chamado à justiça social
A Igreja insiste na necessidade de uma sociedade mais justa e inclusiva. «A paz exige corações desarmados», afirma Imbamba.
O arcebispo de Luanda, Filomeno Vieira Dias, destaca também o valor histórico da fé no país, evangelizado desde 1491.
Guiné Equatorial e contraste social
De 21 a 23 de abril, o Papa visitará a Guiné Equatorial, rica em petróleo, mas com população em extrema pobreza. O país é governado desde 1979 por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.
Um tempo de graça
A última visita papal ocorreu em 1982, com João Paulo II. Agora, a Igreja local vê a nova visita como um momento especial. «Não apenas um evento histórico, mas um tempo de graça, um kairos», afirmam os bispos — um convite a renovar a fé e olhar para o futuro com esperança.
Por Anna Pozzi - Mondo e Missione - tradução e adaptação Valesca Montenegro - redação Mundo e Missão
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