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Fechada outra rádio católica na Nicarágua

Com desculpas “injustificáveis”, o serviço de telecomunicações do país deu à Radio Stereo Fe um aviso informando que eles deveriam encerrar as transmissões imediatamente. Como aconteceu com as outras rádios que foram fechadas, a Palavra de Deus passa a ser difundida por suas redes sociais.


Paroquiana reza durante Missa celebrada na Catedral Metropolitana de Manágua, Nicarágua, 21 de agosto de 2022 REUTERS/Maynor Valenzuela

“Quase 28 anos de evangelização radiofônica em FM terminaram hoje”, diz uma nota onde a diretoria da Rádio Stereo Fe da Diocese de Estelí informa que foi forçada a interromper as transmissões. Pedem aos fiéis que não desanimem e que continuem unidos na oração. A Diocese de Estelí inclui as paróquias dos departamentos de Estelí, Madriz e Nueva Segovia.


Fechamento injustificado da Rádio

A emissora publicou a nota que o Serviço de Telecomunicações, TELCOR, dirigiu ao diretor da Rádio Stereo Fe, Álvaro José Toledo Amador, solicitando a imediata cessação das transmissões, alegando que a rádio funciona com licença em nome do padre Francisco Valdivia, que ele faleceu em 2021, e que o novo diretor não tem permissão para dirigir a emissora.


Segundo a direção da rádio por meio da rede social Facebook, é um motivo injustificado, pois desde a morte do padre Valdivia, a emissora teve vários diretores, e eles nunca tiveram problemas.


Condenação pelo fechamento da emissora

Na nota da direção da rádio, é condenada a interrupção das transmissões da Rádio Sterio Fe, emissora que chega a muitas comunidades que se alimentam da Palavra de Deus, da Eucaristia e da catequese. Os ministérios da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, localizada em Ocotal, Nueva Segovia, podiam transmitir a obra evangelizadora e missionária da Igreja.


Evangelizar, se não com o rádio, então com as redes sociais

Como aconteceu com outras estações de rádio que tiveram suas transmissões interrompidas pelos Governo, a Rádio Stereo Fe da Diocese de Estelí continuará evangelizando por meio de suas redes sociais e todos os outros meios que a tecnologia oferece.


Uma reação após a denúncia da Diocese

Estranhamente, esta nota vem no dia seguinte à transmissão radiofônica de uma declaração do clero da Diocese de Estelí, que detalhou toda a situação que a Igreja nicaraguense vive.


No texto, o clero afirma que o governo manteve “ilegalmente em cativeiro” o bispo de Matagalpa e administrador apostólico da Diocese de Estelí, Dom Álvarez por 15 dias, e depois mudou seu confinamento, apenas para liberar o acesso à Cúria Episcopal, levando para a prisão os sacerdotes e leigos que acompanhavam o bispo. Detalhando também cada uma das ações, que o governo aplicou contra a Igreja desde 2018, ações que vão desde prisões injustas contra padres e bispos, alegando falsas acusações contra eles.


Entre as ações do governo estão também a expulsão injustificada das irmãs da Congregação de Santa Teresa de Calcutá, a expulsão do Núncio Apostólico, o cancelamento do status legal da Caritas Estelí, o fechamento de universidades e de meios de comunicação.

Apesar das ações do governo contra a Igreja, seus membros continuam evangelizando. Os fiéis têm respondido à violência com orações, com orações marianas, com celebrações eucarísticas, desde que permitidas pelo governo. A Igreja da Nicarágua, cada vez que denunciou injustiças, fê-lo baseando-se na Bíblia, nos documentos papais ou no Concílio Vaticano II.


“Nossa missão é evangelizadora, pastoral, pacífica, por natureza somos amantes da paz, uma paz baseada na verdade, na justiça, na liberdade, no amor. Pregamos o mandamento do amor que Jesus nos deixou. Nós nos esforçamos para reconciliar as pessoas que vocês dividem com sua maneira de proceder. Pregamos que é possível ser irmãos, mesmo sendo diferentes. Somos fiéis ao princípio da unidade na diversidade. A Palavra de Deus nos impele a ser profetas e a defender os Direitos Humanos das pessoas. E denunciar todo tipo de injustiça”, lê-se no documento.

Por Patricia Ynestroza - Vatican News



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