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Haiti, um missionário: minha paróquia criada em 2023, um sinal de esperança no caos

Aos pés da montanha mais alta da nação caribenha, a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma pequena, mas forte defensora da solidariedade e da esperança. O pároco camiliano padre Massimo Miraglio: "A população local se sente amada. Juntos, construímos nosso futuro e lutamos contra o ódio e o rancor".


Fotos: Arquivo pessoal - reprodução Vatican Media

A esperança do Haiti está escondida numa pequena paróquia aos pés do Pic Macaya, a montanha mais alta do país caribenho. Uma capela católica quase totalmente abandonada, situada em Pourcine, localidade no interior montanhoso de Jérémie, que há menos de um ano, em agosto de 2023, se transformou numa próspera comunidade de fé que atende uma população de cerca de 4 mil habitantes.


Milagre inesperado

Um milagre nascido em meio ao caos, morte e violência, que não poupam nenhum canto do país, exacerbados pela renúncia, na última segunda-feira (11/03), do primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry, que surpreendeu até mesmo o padre Massimo Miraglio, missionário italiano que se tornou o primeiro pároco dessa pequena igreja dedicada, não por acaso, a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. "O que mais me impressionou nessas pessoas foi sua energia, sua vontade de trabalhar, seu desejo de deixar para trás, com esforço, a dor pelo tributo de sangue derramado pelo seu povo ao longo desses meses", contou ele.


Luz em um mar de ódio

É um exemplo positivo, quase virtuoso, num mar de ódio. "Gangues armadas que lutam entre si controlam todo o Haiti", disse o sacerdote, explicando que por onde passa a fúria das gangues, nada fica de pé: "Ministérios, aeroporto, prisões, delegacias: tudo destruído. Sem falar nos hospitais que, sob assalto, estão fechando um atrás do outro". Ninguém mais conta os mortos, em cada esquina se veem muitos, especialmente jovens.



Sentir-se amados

A paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, criada por vontade do bispo da Diocese de Jérémie, dom Joseph Gontran Décoste, é uma experiência para a futura reconciliação nacional. "Com este gesto – disse pe. Miraglio – as pessoas da região sentiram-se amadas, sentiram que podiam sair do isolamento e do medo em que tinham caído. Puderam, em parte, começar a esquecer os efeitos dramáticos do furacão Matthew em 2016 e do terremoto de 2021".


Unidos contra o desespero

O desafio do pároco e de sua comunidade é demonstrar que só estando unidos é possível combater o ódio e o desespero. Na área da paróquia, acrescentou ele, "falta tudo, até escola e enfermaria. O nosso objetivo é construí-las juntos, com a contribuição de todos, para permitir que a população viva em harmonia e não deixe Pourcine para se mudar para as favelas das grandes cidades".



Igreja protagonista

Mas se olharmos com atenção, perceberemos que a ação pacificadora da Igreja haitiana não se limita à paróquia de Pic Macaya. Por exemplo, na capital, Porto Príncipe, administra centros educacionais, hospitais e dispensários. Os seus missionários e sacerdotes continuam cuidando dos idosos e deficientes, dos pobres e dos jovens, apesar de tudo. "Quando essa violência acabar", conclui o pe. Miraglio, "a Igreja não pode deixar de se envolver na reconstrução da esperança". O Haiti precisa de um plano preciso para envolver as forças saudáveis do país, e a Igreja tem credibilidade para ajudar a alcançar esse objetivo".


Por Federico Piana – Vatican News


 

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