Marcelo Candia, os pobres e o estilo da caridade

Em audiência realizada em março deste ano com o papa, a Fundação Marcelo Candia foi elogiada por Francisco, na ocasião ele falou sobre o empenho "sem paternalismo" do empresário milanês que, depois de se encontrar com Mons. Pirovano deixou tudo para servir os últimos na Amazônia. E à sua intercessão confiou os doentes e os mais pobres e marginalizados do Nordeste do Brasil.


Créd. Mondo e Missione

“Estou feliz por conhecê-lo e agradecer ao Senhor com vocês pelos 40 anos de atividade da Fundação Marcelo Candia. Ele mesmo que a fundou em 1982, e no ano seguinte partiu para o Céu. Agora nós o veneramos e pedimos sua intercessão, especialmente pelos doentes e pelos mais pobres e marginalizados do Nordeste do Brasil, onde trabalhou por muitos anos”.

Com estas palavras, o Papa Francisco deu em 08 de abril as boas-vindas à Fundação Marcelo Candia em audiência no Vaticano, que continua o trabalho do leigo milanês - agora venerável - que, impulsionado pelo encontro com Mons. Aristide Pirovano, missionário do PIME e bispo de Macapá, na década de 1960 optou por deixar seu negócio de empresário para se colocar a serviço dos pobres.


Inculturação


Em seu discurso, o Papa Francisco retomou o estilo sugerido por Paulo VI a Marcelo Candia para seu serviço: “Disse a Candia: ‘Se você construir um hospital no Brasil, faça que seja bem brasileiro…”. Ou seja, bem integrado na realidade local, envolvendo as pessoas da região... Mesmo que talvez tenha um pouco de estilo milanês, vai ter! Ao falar sobre a inculturação, ressaltou que é levar a cultura do lugar onde irá trabalhar. “Cuidado – continuou Paulo VI – para evitar qualquer tipo de paternalismo, não imponha suas ideias aos outros, mesmo com boas intenções”.


Candia era um empreendedor, estava acostumado a tomar decisões por conta própria, então teve que aprender a administrar as coisas de outra forma. "Faça o hospital não só para brasileiros, mas com brasileiros". Não apenas para, mas com. Isso é importante, é uma regra geral da caridade: trabalhar com os destinatários do serviço”. E acrescentou - recordou o Papa Francisco -: "Que ele proponha como objetivo final não ser mais necessário". Isso é sábio! Muitas vezes aqui, mesmo nós na Igreja, encontramos pessoas valiosas, sacerdotes, bispos, mas eles acreditam que a história da salvação passa deles, que são necessários. Ninguém, ninguém é absolutamente necessário’”.


Um legado que continua…


Um estilo que continua até hoje através da Fundação, que é a consequência e ação concreta de seu entusiasmo missionário: “Parabenizo - disse o pontífice - porque vocês se esforçam para seguir este caminho. De fato, a Fundação não administra as obras por conta própria, mas apoia comunidades locais e missionários em iniciativas com doentes, leprosos e pessoas em diferentes situações de necessidade. E outro mérito que vocês tem é que os custos de manutenção da Fundação são mínimos, quase tudo vai para as obras no Brasil. E isso é muito importante. Encorajo-vos a seguir em frente, no espírito e estilo do venerado Marcelo Candia - concluiu -. Que Nossa Senhora vos acompanhe”.


Fundação Marcelo Candia


Fundada em 1982 e que entrou em atividade com a morte de Marcello Candia – no ano seguinte – a Fundação pretende dar continuidade às obras iniciadas e desenvolver outras motivadas por necessidades contingentes. Principalmente, promove iniciativas em favor dos leprosos, crianças, doentes e pobres no Brasil, com destaque para a Amazônia e para os do Nordeste, que são os mais pobres do país. Os recursos arrecadados são destinados às diversas iniciativas e repassados ​​diretamente aos gestores de cada obra individual.


Para mais informações visite o site da Fundação Marcello Candia .


Por redação Mondo e Missione

tradução e adaptação: Valesca Montenegro - redação Mundo e Missão