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Líbano: Em meio aos conflitos missionários escolhem permanecer ao lado do povo

Enquanto Israel iniciou uma “operação terrestre” no sul do Líbano, os missionários redentoristas pe. Shinto e pe. Binoy contam à AsiaNews por que decidiram permanecer ao lado das pessoas mais atingidas pelo conflito, junto com as Missionárias da Caridade. No silêncio diante do Santíssimo Sacramento, explicam, “o barulho” da guerra “desaparece”, dando lugar a uma paz “que somente Cristo pode oferecer”. Eles também relatam a história de ajuda concreta prestada a um homem em grave sofrimento.

Foto de AHMAD BADER na Unsplash
Foto de AHMAD BADER na Unsplash

“Muitos nos perguntam por que permanecemos, já que é perigoso. A resposta é simples: nossa presença é a nossa missão.”


Assim escreve, em um testemunho enviado à AsiaNews, o padre Shinto Moongathottathil C.Ss.R., religioso da Congregação do Santíssimo Redentor (CSsR, conhecidos como Redentoristas ou Liguorianos), ao relatar, a partir da perspectiva libanesa, a escalada do conflito entre Hezbollah e Israel.


“Naquela hora de silêncio diante do Santíssimo Sacramento, o barulho da guerra desaparece – acrescenta – e encontramos a paz que somente Cristo pode dar.”

As palavras chegam em um momento de grande preocupação com as repercussões regionais da guerra iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, contra o Irã, com um novo foco de tensão entre o país dos cedros e o Estado de Israel.


Escalada militar e preocupação

Após os bombardeios na capital e na fronteira sul nos últimos dias, o exército israelense iniciou agora uma “operação terrestre” no sul do Líbano. Trata-se de um desenvolvimento que pode ampliar ainda mais o derramamento de sangue e que preocupa profundamente a comunidade religiosa.


O superior dos redentoristas de Kerala, padre Poly Kannampuzha, sublinha que, “na festa de São Clemente, convidamos todos a rezar por nossos confrades no Líbano e na Arábia Saudita [p. Binoy, Lijo, Shinto, Wilson e Johnson], atingidos pela guerra”.


“A situação no Líbano – acrescenta – é particularmente alarmante. Grande parte dos ataques aéreos está ocorrendo na capital, Beirute, e nossos confrades não estão longe da área onde se concentram os bombardeios.”

Segundo ele, os religiosos “não estão em pânico”, mas pede que todos “os sustentem com a oração e a solidariedade”.

Uma missão essencial, como mostra também o testemunho do superior dos redentoristas no país, padre Binoy Uppumackal, que recorda o resgate realizado duas semanas atrás de um homem em condições de “sofrimento inimaginável”. A seguir, o relato integral de pe. Shinto e pe. Binoy enviado à AsiaNews.


"uma missão de presença

A situação atual no Líbano é muito grave. Todos os dias ouvimos os sons da guerra e vemos o medo nos olhos das pessoas ao nosso redor.

Milhares de famílias foram obrigadas a abandonar suas casas, levando consigo apenas o que podiam carregar. Escolas e ruas estão cheias de pessoas que não têm outro lugar para ir. Em meio a esse medo, nós três missionários redentoristas — pe. Binoy, pe. Shinto e pe. Lijo — fizemos uma escolha clara: permanecemos. Não estamos simplesmente observando esta guerra à distância; estamos vivendo-a junto com o povo. Muitos nos perguntam por que ficamos, já que é perigoso. A resposta é simples: nossa presença é a nossa missão.


Fraternidade com as Missionárias

Uma parte muito importante da nossa missão aqui é a fraternidade com as Missionárias da Caridade. Celebramos a Santa Missa com elas e, em tempos de guerra, a Eucaristia se torna nossa maior força. Também ajudamos as irmãs em seu belo serviço aos pobres. Organizamos dias de retiro e escutamos confissões, oferecendo apoio espiritual a quem está cansado e abatido. Neste período de dificuldade organizamos também um momento especial de Adoração para os detentos e para aqueles que vivem sob os cuidados das irmãs. Naquela hora de silêncio diante do Santíssimo Sacramento, o barulho da guerra desaparece e encontramos a paz que somente Cristo pode dar.


Visitar os mais esquecidos

Nossa missão nos leva também ao coração do bairro onde vivemos. Mesmo em plena guerra, saímos para visitar as famílias da região, especialmente os idosos e os doentes que não conseguem sair de casa.

Durante um conflito, essas pessoas costumam ser as mais esquecidas. Quando vamos visitá-las e lhes levamos a Santa Comunhão, não oferecemos apenas um sacramento, mas também o consolo da Igreja.

Sentamo-nos com elas, escutamos suas preocupações e rezamos juntos. Essas visitas recordam que, mesmo quando o mundo parece desmoronar, Deus continua caminhando ao lado de seu povo.


Permanecer é testemunho


Às vezes as pessoas pensam que os missionários precisam sempre “fazer” grandes coisas. Mas compreendemos que o simples fato de permanecer é a coisa mais poderosa que podemos fazer. Quando as pessoas percebem que não fugimos, isso lhes dá coragem. É como se disséssemos: “Vocês não estão sozinhos. Deus não os esqueceu”. Como redentoristas, seguimos o caminho de Santo Afonso, permanecendo próximos daqueles que estão mais abandonados. Pedimos que recordem o Líbano e o Oriente Médio em suas orações.

A destruição ao nosso redor é grande, mas a graça de Deus é maior. Não sabemos quando esta guerra terminará, mas sabemos onde é o nosso lugar: aqui, ao lado de quem tem o coração ferido, continuando a missão da redenção abundante. Nossa presença é um pequeno sinal do amor de Deus e, enquanto houver necessidade, permaneceremos.


Um encontro com o sofrimento

O superior dos redentoristas no Líbano, padre Binoy Mandapathil, relata também um episódio recente de cuidado e dedicação às pessoas mais vulneráveis.


Duas semanas atrás encontramos um homem em um estado de sofrimento inimaginável. Ele havia se refugiado em um banheiro estreito, com medo de sair, aterrorizado pela polícia e fraco demais para se mover. Seu corpo estava coberto de feridas, atacado por ratos, e um forte cheiro de decomposição o cercava. Sua pele estava se desprendendo e ele não conseguia sequer emitir um som.

Uma luta pela dignidade

Quando o encontramos, a cena era chocante. O mau cheiro era tão forte que eu mal conseguia suportá-lo. Mesmo assim, com coragem e compaixão, conseguimos levantá-lo e colocá-lo em uma ambulância.

Mas nossa luta não terminou ali. No hospital, ele teve a internação negada. Os médicos temiam que sua condição fosse contagiosa e classificaram o caso como uma “doença secundária”, afastando-o. Foi então que a verdadeira força da comunidade e da fé começou a aparecer. Com o apoio de muitas pessoas de bom coração e a determinação das Missionárias da Caridade, lutamos para que ele recebesse o tratamento de que precisava.

No fim, ele foi operado e, depois da cirurgia, acolhido na Casa da Paz, a casa das irmãs.


A esperança que renasce

No dia 16 de março voltei a visitá-lo. A transformação é impressionante. Ele não é mais o homem destruído que encontramos naquele banheiro. Agora consegue sentar-se, sorri e, sobretudo, demonstra profunda gratidão. Sua gratidão não é apenas pelo tratamento médico, mas pelo amor e pela dignidade que lhe foram devolvidos. Essa história é um testemunho vivo da misericórdia de Deus que atua através das mãos humanas.

Onde os hospitais viam perigo, a compaixão viu um irmão necessitado. Onde a sociedade se afastava, a fé abraçava. E onde reinava o desespero, a esperança voltou a nascer. Graças a Deus pela coragem das Missionárias da Caridade, pela força daqueles que permaneceram unidos e pela cura que hoje permite a este homem viver novamente com dignidade.

(com colaboração de Nirmala Carvalho)


Por pe. Shinto e pe. Binoy - AsiaNews - Tradução e adaptação Valesca Montenegro - redação Mundo e Missão

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