PIME amplia apoio a distância para comunidades inteiras
Atualizado: 15 de set.
O Sustento a Distância do PIME se renova: o programa “UnoXtutti” amplia o olhar dos indivíduos para as comunidades, «para ampliar o impacto da ajuda e revelar a riqueza de contextos distantes», explica a coordenadora.

Uma ideia que atravessou décadas
Os primeiros foram as crianças birmanesas da missão do padre Mario Meda, em Kengtung, que, nos anos 1950, puderam frequentar a escola graças à ideia do sacerdote do PIME de confiá-las – virtualmente – a famílias de países distantes. Uma década depois, quando, em um escritório do recém-criado Centro PIME de Milão, as fichas de jovens de diferentes missões começaram a ser associadas a doadores dispostos a apoiar seus estudos e seu crescimento, a intuição do padre Meda transformou-se nas “Adoções de amor a distância”.
Nascia assim a primeira forma de um modelo de solidariedade que depois seria imitado por inúmeras outras associações e que, ao longo de quase sessenta anos, mudou a vida de dezenas de milhares de jovens. E, junto com eles, também a de suas comunidades: «Desde o início, ficou claro para os missionários que o desenvolvimento dos povos começa pela educação», conta Monica Guglielmi, coordenadora dos projetos de Sustento a Distância (SaD) do PIME.
As histórias de tantas daquelas crianças que sorriam nas fotos 3x4 enviadas aos seus “adotantes”, acompanhadas de boletins escolares ou cartinhas, são uma prova disso. Hoje, muitos delas se tornaram médicos e engenheiros, enfermeiros e professores. Uma demonstração da eficácia de uma fórmula que resistiu à passagem dos anos. Por que, então, mudá-la?
Um apoio em constante evolução
«Na realidade – destaca Monica Guglielmi –, o Sustento a Distância nunca deixou de evoluir, adaptando-se às novas necessidades dos contextos e às mudanças de sensibilidade ao longo do tempo, sem perder sua essência. Muita água passou sob as pontes desde quando, décadas atrás, acontecia de um recém-nascido na missão ser batizado com o nome do benfeitor europeu... Hoje, alguns de nossos missionários administram escolas onde estudantes cristãos sentam-se lado a lado com colegas muçulmanos ou budistas».
Ao longo dessas décadas, também mudou a linguagem, começando pelo próprio nome: «Percebeu-se que a palavra “adoção” era, de certa maneira, enganosa, porque podia dar ao doador a impressão de ter uma criança “própria”, sem a devida consciência do contexto em que ela vivia. Era importante fazer entender que as crianças viviam em uma aldeia, com suas famílias, e que os apoiadores tinham a oportunidade de estar ao lado delas, ainda que à distância. Daí a decisão de adotar, nos primeiros anos 2000, a denominação oficial de “Sustento a Distância”».
Um novo olhar sobre comunidades
É no caminho dessa evolução contínua que o PIME se prepara, agora, para dar mais um passo com o novo programa de SaD “UnoXtutti”. O objetivo é ampliar o olhar do indivíduo “adotado” para toda a sua comunidade, segundo um modelo capaz, entre outras coisas, de multiplicar o impacto da ajuda e torná-lo mais duradouro.
A inovação nasce de diferentes inputs. O primeiro veio, mais uma vez, da reflexão sobre o tempo em que vivemos: «Hoje – explica Guglielmi –, a questão do uso de imagens, especialmente de menores de idade, é muito importante e tornou-se ainda mais urgente por causa da exposição nas redes sociais. Em nossos países, felizmente, desenvolvemos uma forte sensibilidade e atenção a esse tema: quem de nós nunca precisou assinar uma autorização até mesmo para uma simples fotografia de turma? Nós nos perguntamos, então, por que deveríamos considerar legítimo não oferecer esse mesmo tipo de respeito às crianças dos países de missão, especialmente às mais vulneráveis, por estarem em situação de fragilidade. É correto, nesse sentido, enviar aos apoiadores fotografias das crianças em primeiro plano, acompanhadas de todos os seus dados pessoais e dos dados de suas famílias? Não faríamos isso com nossos próprios filhos».
Respeito à identidade das crianças
As avaliações amadurecidas nos escritórios italianos do PIME foram reforçadas pelos feedbacks dos missionários, que trazem de volta a imagem dos contextos em que atuam atualmente. Um exemplo são os campos de refugiados no Chade que acolhem pessoas refugiadas do Sudão, onde trabalha o irmão Fabio Mussi. Ali, registrar informações sobre as crianças – ainda que com o objetivo de ajudá-las – é uma operação delicada e que pode acabar tendo efeito contrário:
«Percebemos que o equilíbrio da convivência entre diferentes etnias, culturas e religiões está se tornando cada vez mais precário. Às vezes, basta um pequeno desentendimento para provocar confrontos violentos – conta o irmão Fabio. – Nessa situação, está ficando cada vez mais difícil coletar dados pessoais e fotos individuais das meninas e dos meninos que frequentam nossas escolas, porque isso pode ser interpretado como uma ferramenta de “classificação” para discriminar determinados grupos étnicos. Obviamente, não é esse o objetivo, mas precisamos evitar oferecer oportunidades para criar divisões e, ao contrário, favorecer a integração. O único caminho é apostar no grupo, formado por crianças de diferentes origens, que juntas procuram construir algo por meio da educação».
Apoio em contextos de guerra
Desafios diferentes, mas igualmente concretos, aparecem em regiões marcadas pela guerra ou pela guerrilha, como Myanmar e Haiti, onde muitas vezes é impossível garantir a continuidade de informações personalizadas diante de uma realidade instável e insegura.
É significativa a experiência relatada por Maurizio Barcaro, de Porto Príncipe, onde, na ausência total de controle estatal, quem dita as regras são grupos armados rivais:
«Neste momento, organizo as atividades da missão “nos bastidores”, para garantir, tanto quanto possível, a minha segurança e a dos jovens que me ajudam. Em nossas escolas, onde atualmente estudam cerca de 4 mil crianças, não tiro fotos nem visito as salas de aula, nem encontro familiares ou professores: por enquanto, é melhor assim».
Ampliar horizontes pela solidariedade
Também nesses contextos de fronteira, assim como nos 19 países onde o PIME mantém projetos de Sustento a Distância – da Índia às Filipinas, de Camarões à Costa do Marfim, do México à Papua-Nova Guiné –, o novo programa “UnoXtutti” permitirá apoiar indivíduos ampliando o horizonte para toda a comunidade e para países que muitas vezes estão fora dos radares da mídia.
«Como acontece com amigos que vivem no exterior – exemplifica Monica Guglielmi –, gostaríamos que quem doa pudesse descobrir algo do cotidiano e da cultura dos países onde vivem as pessoas ajudadas, para que exista uma consciência maior de que a relação não é “de mão única” – eu, europeu, faço uma doação e o “pobre” recebe passivamente –, mas de uma troca humana e cultural recíproca».
Construindo vínculos à distância
Mas será possível construir esses vínculos mesmo que a foto presa à geladeira ou colocada em uma estante da sala não seja mais a de uma única criança, mas retrate momentos da vida de uma aldeia inteira?
«Será possível graças à mediação dos missionários, que enviarão regularmente atualizações sobre as comunidades das quais nossos doadores regulares se tornarão “Embaixadores”».
Serão enviadas cartas e e-mails, mas também serão organizadas videochamadas e, posteriormente, encontros presenciais quando os missionários estiverem na Itália. E, para permitir que também os mais jovens participem desse encontro entre mundos – apesar da precariedade em que se encontram as novas gerações italianas –, foram pensadas modalidades de apoio mais flexíveis.
“Não um, mas cada um”
O que valerá para todos é a nova perspectiva que está na origem da mais recente reformulação das “Adoções de amor a distância”, sintetizada por Guglielmi em um slogan: «Não um, mas cada um».
Daqui em diante, será apoiado cada estudante, mas também cada pessoa com deficiência, cada idoso e cada jovem que precise de uma oportunidade.
As categorias contempladas pelo Sustento a Distância do PIME também se multiplicaram ao longo do tempo, e essa tendência deve se consolidar:
«No início, o programa era voltado apenas às crianças, e assim continuou até os primeiros anos 2000. Depois, vários missionários começaram a nos mostrar que alunos com grande potencial tinham dificuldade para continuar sua formação até os níveis mais avançados, tanto porque as condições do ambiente exigiam que os jovens contribuíssem para a vida da família quanto pela ausência de uma cultura adequada de estudo».
Assim começaram os projetos que permitiram a muitos meninos e meninas frequentar o ensino médio e, para alguns, aspirar à universidade.
Inclusão para pessoas com deficiência
O desafio seguinte foram as pessoas com deficiência.
«Em muitas das realidades onde estamos presentes, a deficiência era considerada uma vergonha, até mesmo uma maldição, além de representar um obstáculo econômico concreto. Por isso, pareceu-nos natural ampliar as oportunidades oferecidas pelo SaD também às pessoas que viviam essa dificuldade, começando pelos contextos onde o PIME já administrava projetos específicos, como Camarões, Tailândia ou China, para depois chegar rapidamente a quase todas as nossas missões».
E, mais uma vez, foi dessas próprias missões que veio uma importante inspiração. A coordenadora conta a partir de uma experiência pessoal:
«Durante uma recente visita aos projetos na Guiné-Bissau, visitei uma escola onde alguns alunos com deficiência frequentavam, com os recursos de apoio adequados, as mesmas salas de aula que todos os outros estudantes. No último dia de aula antes das férias, justamente uma dessas crianças foi incentivada pelos colegas a participar do hasteamento da bandeira, um momento muito solene, representando todos. Pareceu-me a imagem perfeita da inclusão que nossos projetos buscam promover. Então nos perguntamos: por que promover ações de Sustento a Distância voltadas exclusivamente para pessoas com deficiência em contextos onde a integração já se tornou parte da vida cotidiana?»
A resposta foi clara: no novo “UnoXtutti”, a aposta será em programas inclusivos, investindo os recursos do SaD em ferramentas específicas que permitam o crescimento conjunto e na formação de professores e famílias.
Os idosos também entram
A “descoberta” mais recente, finalmente, foram os avós.
«Foi uma experiência concreta que nos abriu os olhos para essa nova necessidade», conta novamente Monica Guglielmi.
«Da missão no Haiti, onde desde o início houve uma atenção especial aos idosos abandonados por seus familiares no hospital de Porto Príncipe, recebemos a proposta de confiar aos nossos benfeitores vinte “avós”, aos quais garantir um acompanhamento digno e humano na última etapa de suas vidas. A resposta dos doadores foi surpreendente».
Tanto que hoje projetos semelhantes estão sendo iniciados de Camarões à Tailândia.
Para Guglielmi, «este também é um sinal dos tempos: por um lado, em nossa sociedade, a sensibilidade às necessidades da terceira idade está muito presente; por outro, também nos países de missão, onde tradicionalmente os idosos representavam um recurso precioso para as comunidades e eram cuidados e honrados, infelizmente começam a surgir situações de solidão».
Novos desafios, novas comunidades
Essas novas necessidades estarão no centro do “UnoXtutti”, assim como outras que estão surgindo, por exemplo, as relacionadas às migrações, já que «o mundo está se deslocando por toda parte».
Além dos refugiados sudaneses no Chade, novos projetos de SaD são dedicados às famílias que fogem de Myanmar, em guerra, para a Tailândia, ou aos migrantes africanos na Tunísia. O que unirá todas essas iniciativas será o fato de serem “por tempo determinado”:
«Gostaríamos de acompanhar as comunidades até que cada uma seja capaz de caminhar com as próprias pernas, para então abrir espaço para outras».
Ninguém avança sozinho
Para sintetizar o espírito do Sustento a Distância, a coordenadora escolhe novamente uma história da Guiné-Bissau:
«A professora havia dado às crianças da educação infantil a tarefa de fazer um desenho sobre sua família, mas três alunos chegaram sem o trabalho. Talvez em casa não tivessem lápis de cor ou folhas... Então, inesperadamente, uma menininha que segurava seu lindo desenho o rasgou em quatro partes: ficou com uma e distribuiu as outras aos colegas. Ninguém avança sozinho, só progredimos juntos».
Todos por um, “UnoXtutti”.
Por Chiara Zappa - Mondo e Missione - Tradução e adaptação redação Mundo e Missão
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