O "fio de ouro" entre Itália e Mianmar: sete séculos de laços que continuam
- Editora Mundo e Missão PIME
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- há 2 dias
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Livro resgata a história de uma amizade duradoura entre os dois países, enquanto ações de solidariedade renovam essa parceria nas periferias de Yangon.

Sete séculos de história
Das viagens de Marco Polo aos missionários barnabitas, dos exploradores piemonteses aos técnicos italianos que serviram na corte dos reis de Ava, até os missionários do PIME. A relação entre Itália e Mianmar atravessa mais de sete séculos e agora ganha um retrato em livro, intitulado "O fio de ouro". A história, porém, não pertence apenas ao passado. Os laços entre os dois países continuam vivos graças às iniciativas de cooperação promovidas pela Embaixada da Itália em Yangon, em parceria com a New Humanity, organização não governamental ligada ao PIME.
Solidariedade na periferia
No dia 2 de junho deste ano, pelo terceiro ano consecutivo, a equipe da representação diplomática italiana em Yangon organizou, com o apoio logístico da New Humanity, uma grande distribuição de refeições destinada a uma comunidade vulnerável da periferia da cidade. Graças às doações arrecadadas entre os funcionários da embaixada, mais de 2.100 refeições foram distribuídas a famílias em situação de vulnerabilidade, "com arroz, frango, legumes e temperos", explicou à AsiaNews Nicolò Tassoni Estense, chefe da missão diplomática italiana em Yangon e organizador do livro "O fio de ouro", juntamente com o missionário do PIME, Piero Masolo.
"Celebramos a Festa da República não apenas com a tradicional recepção diplomática, mas também procurando dar concretude aos valores de solidariedade presentes na Constituição italiana", afirmou.
"Funcionários italianos e birmaneses da embaixada participam diretamente da distribuição das refeições, buscando oferecer não apenas ajuda material, mas também um sorriso e momentos de proximidade humana."
Um gesto que aproxima
O diplomata conta que, neste ano, ficou especialmente impressionado com o grande número de crianças presentes e com a dignidade demonstrada pelas famílias enquanto aguardavam sua vez.
"É emocionante ver famílias realmente muito pobres esperando sua vez com dignidade, serenidade e paciência. Para nós, essa iniciativa representa um momento de partilha que une toda a equipe da embaixada e reflete uma profunda comunhão entre valores cristãos e budistas, ambos ligados à ideia da solidariedade e da doação."
A iniciativa só é possível graças ao trabalho enraizado da New Humanity no território.
"Somos profundamente gratos a eles, porque somente graças às raízes profundas do trabalho desenvolvido ao lado dessa comunidade, à confiança conquistada e à capacidade de mobilizar energias positivas é possível realizar uma iniciativa desse porte em um contexto tão complexo quanto o de Mianmar."
Um país marcado por crises
A distribuição das refeições e o lançamento do livro acontecem em um momento particularmente delicado para Mianmar. Desde o golpe militar de fevereiro de 2021, o país mergulhou em uma guerra civil que já provocou milhares de mortes e milhões de deslocados. A essa crise somou-se o devastador terremoto de 28 de março de 2025, agravando ainda mais a situação humanitária.
Por isso, olhar para a longa história das relações entre Itália e Mianmar significa recordar que os vínculos entre os dois povos sobreviveram a guerras, crises e transformações políticas. As histórias reunidas por esse "fio de ouro" mostram que essa relação não se limita à cooperação diante das emergências recentes, mas possui raízes muito mais profundas.
Dos viajantes aos missionários
O livro começa no século XIII, com Marco Polo, considerado o primeiro europeu a deixar registros sobre o território que hoje corresponde ao atual Mianmar. Nos séculos seguintes chegaram outros viajantes italianos, entre eles Niccolò de' Conti, que contribuíram para difundir na Europa os primeiros conhecimentos geográficos sobre a região.
Um papel particularmente importante foi desempenhado pelos missionários católicos. A obra recorda o trabalho dos barnabitas no século XVII, responsáveis por levar à Europa conhecimentos sobre a língua e a cultura birmanas.
Posteriormente, essa herança foi assumida pelos Oblatos da Virgem Maria, que favoreceram um dos capítulos mais surpreendentes da história diplomática entre os dois países. Após a unificação italiana, o governo liderado por Camillo Benso de Cavour buscou estabelecer uma relação privilegiada com o reino birmanês, tentando abrir novas perspectivas comerciais e políticas na Ásia.
A presença do PIME
Outro capítulo central é dedicado aos missionários do PIME, que atuaram nas regiões mais remotas atravessadas pelo rio Salween, nas atuais áreas dos estados Shan e Kayah.
Em territórios frequentemente de difícil acesso até mesmo para as autoridades coloniais britânicas, os missionários desenvolveram atividades educativas e de assistência às populações tribais, contribuindo posteriormente para a criação de diversas dioceses.
Já no século XX destaca-se a figura de Salvatore Cioffi, conhecido como Lokanatha, um dos primeiros ocidentais a se converter ao budismo theravada.
Um legado para o futuro
A publicação faz parte de um projeto cultural mais amplo promovido pela Embaixada da Itália em Yangon. No ano passado, também por ocasião da Festa da República Italiana, foi inaugurada a exposição "700 Years of Bonds: Unveiling the Journey of Italians in Myanmar", dedicada aos viajantes, missionários, diplomatas e técnicos italianos que, ao longo dos séculos, viveram e trabalharam na chamada "Terra do Ouro". Segundo Tassoni Estense, reconstruir esse mosaico de encontros permite compreender como italianos e birmaneses conviveram durante séculos "pacificamente e enriquecendo-se mutuamente", em uma trajetória muito diferente daquela marcada pela experiência colonial de outras potências europeias na Ásia.
Esse "fio de ouro" entre os dois países continua vivo até hoje, também por meio de pequenos gestos de solidariedade.
O livro representa ainda uma espécie de legado do embaixador Nicolò Tassoni Estense, que se prepara para concluir sua missão em Mianmar.
"Levarei para sempre comigo a lembrança desse profundo intercâmbio com o povo birmanês", afirma. "E procurarei continuar apoiando o trabalho da New Humanity, mesmo à distância."
Por Alessandra De Poli - AsiaNews - Tradução e Adaptação Valesca Montenegro
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