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Pe. Chiera: não fugi do Brasil para ser presença e dar amor aos filhos não amados

Essa é a grande resposta dada pela Casa do Menor na Baixada Fluminense, fundada pelo próprio Padre Renato Chiera, ao abandono da juventude. O missionário italiano há 45 anos no Brasil tem abraçado as periferias do Rio de Janeiro, Ceará, Alagoas e Paraíba, onde aumentam os índices de pobreza e fome que também condenam os jovens à violência e à droga. "Recauchutamos eles pelo evangelho e pelo amor", mas também com cursos profissionalizantes: mais de 120 mil já se formaram por lá.

Fotos: Arquivo pessoal - Reprodução Vatican News

O Pe. Renato Chiera se sente mais brasileiro do que italiano, onde nasceu há 81 anos. No Brasil, há 45 anos, fundou a Casa do Menor na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, em 1986, e hoje tem um coração cheinho de gratidão.

“Eu sinto muito amor ao Brasil, digo que mais do que pela minha Itália. Lá é a minha família, mais do que aqui. De fato já vivi mais no Brasil do que na Europa.”
"Eu tive um grande privilégio: o primeiro deles foi de ser tirado da Itália, da cadeira de Filosofia que eu estava, para entrar nas periferias das grandes cidades, sobretudo do Rio de Janeiro, agora, em 4 estados do Brasil, ao lado dos filhos do Brasil não amados. Um privilégio para estar em contato, abraçar o corpo vivo de Cristo - como diz sempre o Papa - naqueles que ninguém quer.”

A Casa do Menor no Brasil

O missionário que está sempre ao lado dos filhos não amados por ninguém, como ele sempre procura enaltecer, desde crianças até adultos feridos, condenados à violência e à droga, estendeu seu projeto aos estados do Ceará, Alagoas e Paraíba, com projeção de chegar nas periferias de Brasília, no Distrito Federal. Do nordeste do país inclusive nasceram vocações: "7 homens recauchutados pelo evangelho e pelo amor", como o próprio Pe. Chiera os descreveu, são missionários. Um novo fenômeno em contraste com os desafios diários da Casa do Menor:

“Eu estou triste porque não se acredita que o amor e dar oportunidade custa muito menos do que matar. E nós continuamos matando e se acredita que se melhora o Brasil matando e entramos num círculo vicioso, porque nunca violência se resolveu com violência. E nós experimentamos que o amor, a presença, dar oportunidade, dar família, dar lazer, deixar os jovens serem jovens, socializar, dar instrumento de futuro que são as profissões – já formamos mais de 120 mil, dar inserção no mercado de trabalho, dar valores, evangelizar. Não somos uma obra social apenas, somos evangelizadores através do que nós fazemos. Nós não evangelizamos tanto falando. Jesus antes fazia e depois falava. Nós evangelizamos com gestos.”

A evangelização do amor e da presença

De passagem por Roma, ele visitou a nossa redação e aprofundou em entrevista a origem desses desafios vividos pela juventude do Brasil: "a maior tragédia não é ser pobre, é não ser filho e não ser amado por alguém. O grito deles é o grito da presença por alguém que os faça sentir filhos". Como diz o Papa, continuou Pe. Chiera, "não somos apenas uma ONG, mas uma presença do amor de Deus e da Igreja”. "Essa é a nossa evangelização", insistiu ele, feita através do amor e da presença, "uma forma de encontrar Deus sem falar dele".



“Eu me sinto em adoração perante criança, adolescente, jovem e, agora, povo de rua. E vejo que se precisa de tanta coisa: comida e trabalho para o futuro, e nós estamos dando isso nos nossos vários programas. Mas o pessoal precisa de mais de amor, de presença. A nossa pedagogia é chamada de ‘pedagogia presença’. Onde tem a presença do amor tem a presença de Deus que esquenta e os faz crescer e sarar tantas feridas. Quando eles fazem a experiência de Deus, a coisa muda, seja com adolescentes e jovens, seja como adultos.”

A esperança que vem de Cristo

A Casa do Menor, recordou ainda Pe. Chiera, "procura dar uma resposta a todo esse abandono da juventude" que tem aumentado com a pobreza e a fome: "são mais de 30 milhões de pessoas com fome; cerca de 100 milhões que não têm segurança alimentar; e 67 milhões com dívidas que não sabem como pagar... São estrangulados o dia todo”, desabafou o missionário, ao acrescentar:

“Porém, tem a esperança. Sabe qual é a minha esperança? Toda essa dor eu dou um nome: é Jesus na cruz, porque quando assumiu a morte na cruz, assumiu todas as dores e todos os negativos. Então, dentro desta realidade, - é por isso que eu estou lá há 45 anos e nunca fugi - tem o corpo sangrento de Cristo que grita o abandono mas que gera ressureição. Obrigado, viu, Brasil! Daqui um pouco eu vou voltar!”

Por Andressa Collet, Vatican News



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