top of page

São Francisco: relíquia da Porciúncula peregrina pela Arábia

há 12 minutos
6 min de leitura

Um fragmento levado por dom Martinelli às paróquias do vicariato. O oitavo centenário da morte do santo não é apenas uma “comemoração”, mas uma “ocasião” para redescobrir sua “herança viva”. O santo de Assis fala a “uma Igreja viva, que convive com diferentes povos, culturas e religiões na Península Arábica”.

“A oito séculos de sua morte, São Francisco continua a falar a uma Igreja viva, que convive com diferentes povos, culturas e religiões na Península Arábica. Seu testemunho oferece uma oportunidade de reflexão sobre fé, fraternidade, diálogo, paz, louvor a Deus por meio da criação e convivência”.
Crédito: Vicariato apostolico dell’Arabia meridionale/Avosa
Crédito: Vicariato apostolico dell’Arabia meridionale/Avosa

É o que destaca uma nota enviada à AsiaNews pelo Vicariato Apostólico da Arábia Meridional, que celebra o oitavo centenário da morte do santo de Assis com uma série de eventos e encontros. No centro das iniciativas está a “peregrinação” da relíquia da Porciúncula: um fragmento do presbitério que o vigário apostólico, dom Paolo Martinelli, levará consigo durante as visitas pastorais.


As celebrações, prossegue a nota, não são apenas “uma ocasião para recordar São Francisco, mas também para redescobrir sua herança e permitir que ela inspire o modo de viver a fé católica na Península Arábica hoje”.

A presença franciscana

O mês de outubro será o ponto central das celebrações pelo oitavo centenário do Trânsito de São Francisco de Assis no Vicariato Apostólico da Arábia Meridional. Nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, serão realizados diversos eventos, desde a celebração solene da festa de São Francisco até jornadas de formação, conferências e iniciativas artísticas.


As atividades fazem parte de um percurso mais amplo de espiritualidade franciscana que envolveu a região durante todo o ano de 2026. Em 24 de maio passado, dom Martinelli publicou uma carta na qual encoraja os fiéis a “redescobrir a espiritualidade franciscana — que desempenha um papel crucial no Oriente Médio — e a participar das iniciativas organizadas no Vicariato”. Entre os principais eventos estão um encontro no Instituto Italiano de Cultura de Abu Dhabi e a Jornada de Formação do Vicariato da Arábia Meridional.


Tradicionalmente confiado à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, o Vicariato do Sul possui uma forte identidade franciscana. Por isso, o aniversário não se torna apenas uma “comemoração”, mas uma “ocasião” para “redescobrir a herança viva” do santo e seu “testemunho atual nesta região do mundo”. Daí surgem as numerosas iniciativas nas paróquias, que incluem espaços de oração e jardins dedicados, exposições e percursos formativos, recursos multimídia e experiências de peregrinação ligadas às igrejas jubilares.


Um sinal particularmente significativo desse caminho é a relíquia da Porciúncula, levada pelo próprio vigário a todas as paróquias durante suas visitas pastorais. A programação também inclui momentos de reflexão e formação, acompanhados por novos recursos pastorais, como o livro As dez palavras franciscanas, do padre Stefano Luca, que aprofunda aspectos fundamentais da espiritualidade franciscana e sua atualidade.


Uma programação para outubro

O percurso ganha intensidade neste mês, quando a Igreja universal celebra o Trânsito de São Francisco e sua festa litúrgica. Mais do que se limitar a um único evento comemorativo, o Vicariato promove uma programação que reúne liturgia, espiritualidade, formação e diálogo, oferecendo diferentes perspectivas para compreender a herança franciscana no contexto contemporâneo da Arábia Meridional.


A celebração solene do Trânsito será presidida por dom Martinelli no dia 3 de outubro, na Catedral de São José, em Abu Dhabi. No dia seguinte, o bispo celebrará a missa da solenidade de São Francisco na igreja dedicada ao santo em Jebel Ali, Dubai. Outro evento importante acontecerá em 19 de outubro, no Instituto Italiano de Cultura de Abu Dhabi, com o tema “800º aniversário do Trânsito de São Francisco de Assis — Uma herança de Assis aos Emirados”.


A noite aprofundará a atualidade da experiência franciscana por meio da espiritualidade, do diálogo e da arte. Entre os participantes estará o artista visual e engenheiro emiradense Sheikh Ali bin Abdullah Al Mualla, que contribuirá com uma reflexão sobre São Francisco e a arte sustentável.


No dia 16 de outubro, a Paróquia do Espírito Santo, em Ghala, Mascate, receberá a exibição do filme Francisco, de Liliana Cavani, uma oportunidade de conhecer mais de perto a vida e o caminho espiritual do santo. Por fim, no dia 22 de outubro, o clero, os religiosos e os responsáveis pastorais de todo o Vicariato se reunirão na Catedral de São José, em Abu Dhabi, para a Jornada de Formação Avosa, intitulada “São Francisco de Assis: uma herança viva para o nosso Vicariato”. O encontro aprofundará temas como diálogo, convivência e arte.


Um caminho que une Assis e Arábia

No ano em que se celebra o oitavo centenário do “Trânsito de São Francisco de Assis”, um pequeno, mas significativo sinal de comunhão une a cidade italiana de Assis ao Vicariato Apostólico da Arábia Meridional.


Os Frades Menores da Província Seráfica da Úmbria e da Sardenha doaram ao Vicariato uma pedra proveniente do presbitério da Porciúncula, local onde o santo morreu. A pedra foi preservada após as obras de restauração realizadas depois do terremoto que atingiu a cidade natal do santo, em 1997.


Após o terremoto, o nível do piso da capela foi rebaixado, e várias pedras foram cuidadosamente conservadas como relíquias.

Neste ano centenário, a relíquia percorre os territórios do Vicariato do Sul — Emirados Árabes Unidos e Omã, mas não o Iêmen, país devastado por anos de guerra sangrenta — acompanhando as visitas pastorais do bispo e permitindo que os fiéis a venerem.


A primeira etapa dessa peregrinação aconteceu na Paróquia do Espírito Santo, em Ghala, Mascate, Omã, de 12 a 15 de fevereiro. A relíquia foi recebida durante a visita pastoral do prelado à comunidade católica.

O próprio vigário apostólico recebeu a relíquia pessoalmente em Assis, enquanto participava de um congresso sobre a presença de São Francisco e de seu carisma no mundo árabe.


Essa história remete ao encontro entre o santo e o sultão Malik al-Kamil, em Damieta, no Egito, em 1219. Desse encontro tem origem a presença do carisma franciscano no mundo árabe e muçulmano, incluindo a região do Golfo. De fato, explica uma nota do Vicariato, se “no passado Francisco atravessou fronteiras guiado apenas pela fé, pela humildade e pelo desejo de paz, hoje é a própria Porciúncula que chega simbolicamente” à região. Trata-se de uma continuação ideal e atual desse caminho, como “testemunho” de que “a semente da fraternidade, plantada há séculos, continua a crescer”.


O coração da vida franciscana

A Porciúncula ocupa um lugar único na memória franciscana. Foi ali que Francisco acolheu o Evangelho e compreendeu o sentido de sua missão. Também foi ali que tomou forma a comunidade dos Frades Menores e onde, posteriormente, em 1226, acolheu a “irmã morte”, deixando ao mundo seu testemunho de vida e santidade, guiado pela confiança em Deus. Levar em peregrinação uma pedra desse lugar sagrado a Abu Dhabi e às demais localidades do Vicariato é um sinal visível do carisma franciscano que, nascido em Assis, hoje faz parte da Igreja universal e da comunidade dos fiéis.

“Receber uma pedra da Porciúncula significa acolher em nossa Igreja local uma memória viva do encontro de São Francisco com Deus”, destacou dom Martinelli.

“Em uma terra onde os cristãos vêm de muitas nações e culturas, esta relíquia nos recorda que o Evangelho da paz, da humildade e da fraternidade é sempre concreto e universal. A presença desta relíquia entre nós fortalece nossa vocação de ser uma Igreja do diálogo e do encontro”, acrescentou o vigário.


Uma relíquia entre os peregrinos

Para tornar o presente adequado à veneração dos fiéis, foi confeccionado um relicário por frei Cornelio Pallares, Frade Menor conhecido pelo cuidado e pelo profundo significado com que produz objetos sagrados.


O relicário permite que a pedra seja protegida e, ao mesmo tempo, permaneça visível, oferecendo aos visitantes um ponto de contato espiritual, simples e profundo, com as origens da vida franciscana.

Ao longo deste ano centenário, a relíquia percorre o Vicariato do Sul, acompanhando as visitas pastorais do bispo e oferecendo aos fiéis a oportunidade de venerá-la.


Assim, a pedra se torna não apenas um símbolo guardado em uma igreja, mas uma “verdadeira peregrina entre os peregrinos”. De Assis ao Golfo, essa pequena pedra se transforma em “uma ponte entre memória e missão”, recordando à Igreja da Arábia Meridional que “o caminho de São Francisco continua onde quer que os fiéis escolham o diálogo, a simplicidade e a paz”.


Por Emirati Arabi Uniti Oman Yemen - AsiaNews - Tradução e adaptação redação Mundo e Missão

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado sobre Mundo, Igreja e Missão, assine a nossa newsletter clicando aqui


Propaganda  - Campanha de Assinaturas

 
 
 

Comentários


pngwing.com (1).png
bottom of page