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PIME: Todos na sala de aula

Coordenadora de doze escolas na Guiné-Bissau, a irmã Anna Marini é uma missionária da Imaculada empenhada na educação e na inclusão.

A paixão pelo mundo ela sempre teve. Por isso, formou-se em Ciências Políticas para a cooperação, o desenvolvimento e a paz na Universidade Católica de Milão. Já a paixão pela missão amadureceu e ganhou forma aos poucos. «Era como se me faltasse algo», reflete hoje a irmã Anna Marini, 37 anos, missionária da Imaculada na Guiné-Bissau, onde suas duas “vocações” se tornaram uma só.

Reprodução Mondo e Missione
Reprodução Mondo e Missione

Natural de Inzago (MI), antes de fazer a profissão perpétua ela havia vivido dois anos nesse pequeno país da África Ocidental, tão querido ao PIME e às Missionárias da Imaculada. País que, desde 2020, também se tornou sua casa.


Testemunha de fé e esperança em meio a uma das populações mais pobres do mundo, a irmã Anna investiu-se em um campo que sempre foi considerado prioritário por suas irmãs do Institutoo: o da educação. «Já em 1987 – conta – graças à visão de futuro da irmã Gianna Rosolin, foi inaugurada a primeira escola, à qual se seguiram muitas outras, construídas também pelos padres do PIME». Em 1993-1994, então, o bispo de Bissau na época, o franciscano Settimio Ferrazzetta, conseguiu fazer com que as escolas católicas em autogestão fossem reconhecidas também pelo Estado, graças a um “acordo”. Hoje, as que estão sob a responsabilidade da irmã Anna são 12 e ficam todas nas tabanca – como são chamados os vilarejos na Guiné-Bissau – de Bissorã e Mansoa.


«O modelo é o das origens – explica a religiosa –: trata-se de escolas em autogestão, apoiadas em três pilares: a missão católica, no nosso caso as Missionárias da Imaculada, a comunidade local e o Ministério da Educação. O modelo de autogestão prevê um forte envolvimento da população em todos os níveis. O objetivo é que se tornem totalmente autônomas também do ponto de vista financeiro até 2030, além de bem administradas».

Nesses anos, muitos avanços foram feitos. Antes de tudo, as famílias foram compreendendo, pouco a pouco, a importância da instrução para os filhos, inclusive para as meninas. «Atualmente temos quase 4.600 alunos e a maioria são meninas – observa a irmã Anna –. Até alguns anos atrás, isso estava longe de ser algo óbvio!». Ainda hoje, de fato, cerca de metade das mulheres guineenses com mais de 40 anos é analfabeta. Mas, as coisas estão mudando, também graças a esse serviço educativo fundamental que as missionárias oferecem ao país. E os resultados aparecem.


«Muitos dos nossos ex-alunos tornaram-se professores ou seguiram estudos na área da saúde. Os que ficaram trabalhando conosco demonstram grande dedicação e desempenham um papel educativo fundamental que vai além do ensino das disciplinas curriculares. Nós mesmas procuramos oferecer continuamente oportunidades de formação para ampliar os horizontes tanto dos estudantes quanto dos próprios docentes».

A irmã Anna, de fato, promove várias atividades extracurriculares, dias dedicados aos temas do meio ambiente, do clima e da biodiversidade, ou à violência, especialmente a doméstica. Além disso, organiza excursões pedagógicas, sobretudo à capital Bissau, que oferecem às crianças e aos adolescentes a possibilidade de descobrir a história do próprio país e as figuras de destaque que contribuíram para a sua independência.


Uma atenção especial é dedicada também à formação dos professores, tanto por meio das iniciativas propostas pela diocese quanto com outros cursos que têm como objetivo fortalecer seus conhecimentos e capacidades pedagógicas. «O papel dos docentes é fundamental em qualquer lugar. E aqui, mais do que em outros – diz a irmã Anna –. Muitas vezes, eles representam o único ponto de referência para o aluno, que às vezes tem uma relação mais próxima com o professor do que com o próprio pai. Entre nós, no nível da coordenação, instaurou-se um espírito de colaboração muito positivo e frutuoso, que permitiu estabelecer um clima de confiança e tecer belíssimas relações». E também criar sempre algo novo e particularmente desafiador, como a atenção às pessoas com deficiência. «É algo que carrego comigo por toda a vida!», admite a irmã Anna, que em 2021 começou a inserir os primeiros alunos com problemas físicos e mentais nas escolas. Não foi fácil e não é fácil ainda hoje.

«Senti-me muito apoiada pelas minhas irmãs. Todas estavam de acordo em levar adiante esse compromisso, porque consideramos um setor particularmente importante no qual investir, também para mudar a mentalidade das pessoas».

Em torno desse tema, de fato, ainda persistem fortes preconceitos e medos. A deficiência, assim como a doença, é vista como uma maldição, um castigo divino, a expiação de um pecado. «As tradições e crenças culturais nesse sentido ainda são muito enraizadas, mas também aqui as coisas estão mudando, tanto nas famílias quanto, sobretudo, entre os docentes, que deram passos gigantescos», confirma a religiosa.


Nesse percurso, foi fundamental – e continua sendo – o apoio da Fundação PIME, que financiou o projeto “Escola inclusiva / Sem mim, que escola é?”. E assim, hoje, 41 crianças com deficiência foram inseridas nas escolas de Bissorã e, desde setembro passado, também nas de Mansoa.

«No país não existem professores de apoio especializados e não há escolas de formação. Nós preparamos cinco, que estão fazendo um trabalho extraordinário. Além disso, com a ajuda deles e de outros professores, continuamos realizando um grande trabalho de sensibilização nos vilarejos, para que essas crianças não sejam marginalizadas, mas possam ter acesso à educação e ser reconhecidas e valorizadas por seus talentos».

Mas, se para os adultos o tema ainda é um grande tabu, para as crianças tudo é mais fácil. Os olhos da irmã Anna se iluminam quando conta:

«No fim do último ano letivo, em uma das nossas escolas, fizeram com que uma criança com deficiência hasteasse a bandeira, depois de tê-la preparado em segredo. Ele fez tudo de maneira impecável e todos os outros o aplaudiram calorosamente. Foi um momento realmente emocionante!».

É assim que essas crianças e esses professores contam hoje uma história diferente: uma história de esforço, certamente, mas também de esperança. Uma história que fala de uma perspectiva de futuro dentro de um horizonte que não exclui ninguém.


Por Anna Pozzi - Mondo e Missione - Tradução e adaptação Valesca Montenegro

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