Qual é o futuro do cristianismo?

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Para ajudar a pensar sobre o futuro do cristianismo, uma reflexão de um teólogo francês chamado Maurice Bellet, observador atento da vivência cristã

Não é um exercício em vão perguntar-se sobre o futuro do cristianismo. É levar a sério uma frase que se destaca no Evangelho de Lucas: “Mas quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé na terra?” (Lc 18, 8). É levar a sério a nossa responsabilidade, não só em relação ao mundo, mas também ao Evangelho, quase a dizer que a kenosis, a humilhação do Senhor, não terminou com a sua ressurreição. Continua na forma da vulnerabilidade, no entregar-se nas mãos dos homens.

Um importante filósofo e teólogo francês, falecido em 2018, Maurice Bellet, escreveu um livro com título e subtítulo inequívocos: La quatrième hypothèse. Sur l’avenir du christianisme (A quarta hipótese. Sobre o futuro do cristianismo). Não me parece que a obra tenha sido traduzida em português. Bellet foi um observador atento e partícipe da vivência cristã. Em seu livro ele apresenta quatro hipóteses, tentando vislumbrar possíveis caminhos para o cristianismo nas próximas décadas.

Primeira hipótese

O cristianismo desaparece e, com ele, o Cristo da fé. Este é um evento frequentemente anunciado nos séculos 18 e 19: quantas vezes falou-se que o cristianismo estava no final? Todas as ideologias afirmaram isso. Esta hipótese prevê que o cristianismo não desapareça por causa de um conflito ou de uma luta anticristã, mas porque perde sua força propulsora. Permanecerão só os monumentos, as obras de arte e as obras literárias. Em suma, como desapareceram o culto de Isis e Osíris, ou os deuses da Grécia Antiga, também o cristianismo desaparecerá.

Segunda hipótese

O cristianismo não desaparece, mas se dissolve: o que ele deu à humanidade se torna um componente da cultura. É o cristianismo declinado em termos de valores, de ética, que não pode mais expressar sua qualidade diferencial. Adquire as formas de um humanismo secular.

Terceira hipótese

O cristianismo sobrevive na sua componente institucional. Ele continua a viver sem ter força, nem profética nem propulsora, quase como uma venerável relíquia do passado.

Quarta hipótese

É, segundo Belllet, a que melhor incorpora o espírito autêntico do Evangelho, que é de se apresentar sempre novo, como uma desordem fundamental a respeito da ordem “necessária” (ou reivindicada como tal), estabelecida pelos homens. Desordem entendida como novidade e oportunidade de se desenvolver, como abertura para aquela novidade, que é a própria essência do Evangelho.

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