Quem são, hoje, as pessoas a serem buscadas e cuidadas?

União

J
esus de Nazaré enviou os apóstolos, de preferência, “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10,6). E orientou a comunidade dos discípulos, como o bom pastor, a deixar 99 ovelhas nos montes e a sair em busca de uma que se desgarrou (Mt 18,10-14; Lc 15,3-7). O Mestre preocupa-se em trazer para o convívio do Reino quantos são excluídos por motivos sociais (os marginalizados) ou religiosos (os pecadores).

A missão de Jesus privilegiou “as ovelhas perdidas da casa de Israel”, povo ao qual pertencia e pelo qual estava rodeado. Entretanto, os evangelhos testemunham que os destinatários da missão cristã são as pessoas do mundo inteiro, sem exceção (Mt 28,19), pois a Boa Nova deve ser proclamada “a toda criatura” (Mc 16,15). A cena de Pentecostes retrata a realização da ordem do Mestre, quando “judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu” (At 2,5) ouvem falar “em suas próprias línguas as maravilhas de Deus” (At 2,11).

Os missionários do Reino, nos passos de Jesus, saem em busca dos mais carentes de misericórdia, os mais desumanizados, a quem o amor do Pai deve ser anunciado com palavras e gestos que lhes recuperem a dignidade de filhos de Deus.

O fruto mais palpável da missão cristã consiste na restauração da humanidade, por mil motivos destruída e descaracterizada. Em outras palavras, a reconstrução da imagem de Deus no coração humano, vitimado pela maldade dos semelhantes ou aprisionado pelo egoísmo, o impede de fazer o bem e lutar por um mundo melhor. Evangelizar tem, portanto, o sentido de humanizar, integrar e empoderar.

Os filhos que se perderam

“Este meu filho estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado” (Lc 15,24) é a melhor exclamação em face de cada irmão ou irmã que, pela ação dos evangelizadores, recupera sua dignidade, superando todo tipo de marginalização. A ruptura social ou religiosa causa sofrimento aos excluídos e destrói quem escolhe trilhar os caminhos do egoísmo, com suas faces perversas. A evangelização reverte essa realidade.

Os servidores do Reino têm a tarefa de reconduzir os filhos desgarrados à comunhão com Deus e com os irmãos, dando um novo impulso às suas vidas. Não se trata de fazer proselitismo, no sentido de trazer as pessoas para esta ou aquela Igreja, tampouco, transmitir doutrinas religiosas ou apontar a resignação como caminho para enfrentar a dureza da vida. Evangelizar é muito mais! É colaborar para que as pessoas passem por um processo de transformação, que façam brilhar em seus corações a dignidade de filhos e filhas amados por Deus, rico em misericórdia.

Uma pergunta está no início de toda ação missionária cristã: a quem o Senhor me envia para anunciar o Evangelho do Reino? A quem devo privilegiar em minha ação? Quem são, hoje, as ovelhas a serem buscadas e cuidadas? O verdadeiro missionário do Reino tem suficiente sensibilidade para identificá-las e, com coragem, ir-lhes ao encontro, como Jesus de Nazaré.

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