Reforma do ensino médio: o que vai mudar?

Levantamento aponta que 3 milhões de jovens abandonam os estudos quando chegam ao ensino médio | Foto: Freepik

Após quase dois anos da Medida Provisória que impôs mudanças, governo federal finalmente apresentou o texto da nova base curricular, que agora passará por consulta pública

 

Atualmente, o Ensino Médio é o grande gargalo da educação no Brasil: apresenta um desempenho estagnado e com altas taxas de evasão e reprovação. Para se ter uma ideia do problema, a cada ano, quase 3 milhões de jovens abandonam a escola no País, conforme um recente levantamento do Insper. Dos que se formam, quase 60% o fazem com pelo menos um ano de atraso. Na tentativa de reverter a situação, na semana passada o Ministério da Educação (MEC) apresentou ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a nova base curricular do ensino médio.

O documento, que a partir de maio passará pela fase de consulta pública para que a população possa contribuir com sugestões e críticas, tem como objetivo orientar escolas do país inteiro na elaboração da grade curricular, bem como será usado na produção de livros didáticos.

Uma das principais mudanças da BNCC do ensino médio é a organização por áreas do conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. Apenas as disciplinas de língua portuguesa e matemática aparecem como disciplinas obrigatórias para os três anos do ensino médio, todo o restante será apresentado como “itinerários formativos” e os alunos poderão escolher a área em que desejam aprofundar o conhecimento.

Reforma do ensino médio

Tudo isso faz parte da Reforma do Ensino Médio, composta por um conjunto de novas diretrizes que pretende alterar a atual estrutura, bem como garantir que os estudantes aprendam determinadas habilidades. Sancionada em fevereiro de 2017, a reforma foi criada em setembro do ano anterior e surgiu como uma Medida Provisória. Por isso, tinha força de lei desde a sua publicação no Diário Oficial da União.

A mudança será implementada de forma gradual e prevê o aumento da carga horária para os alunos (o objetivo é chegar ao ensino integral), a reformulação do currículo (com a divisão por áreas de ensino) e sua flexibilização: a ideia é que os estudantes façam as disciplinas básicas e possam adaptar o currículo à área que pretendem seguir ou têm mais afinidade.

A intenção do governo federal com a flexibilização do currículo é permitir que os alunos direcionem seus estudos à área de maior interesse e, assim, se aproximem do mercado de trabalho, pois uma das opções é cursar disciplinas de nível técnico.

Formação de professores

Outro ponto chave na reforma diz respeito à formação dos professores, que terão pela frente o desafio de repensar o modo como dão aulas. “Hoje, como o professor de química é formado sem ter um diálogo direto com o professor de física ou biologia, que fazem parte da mesma área de conhecimento, por exemplo, agora para dar conta desse novo ensino médio, eles terão que se integrar já dentro da universidade”, explicou o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo ele, a mudança vai ter impacto nos currículos das licenciaturas. “As coordenações dessas áreas vão ter que sentar e repensar. Não é que não vai mais ter professor de química, física e biologia, mas vai ter que haver um esforço para integrar esses conhecimentos”, ressaltou Ramos.

Ajustes

Também em entrevista à Agência Brasil, o conselheiro do CNE, Cesar Callegari, presidente da comissão que vai analisar a BNCC, considera que o colegiado terá que complementar o texto entregue pelo MEC. “A base está incompleta, está um documento bastante genérico e, no meu modo de entender, não atende às expectativas e necessidades do ensino médio no Brasil”, enfatizou.

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