Ressurreição: o grande impulso à consciência cristã

 

A Igreja não está toda aqui, no Brasil, nem é toda “católica”. Existem outras Igrejas que têm uma história milenar, uma enorme riqueza espiritual, teológica e litúrgica. Estas são as chamadas Igrejas orientais, que falam grego, russo ou outras línguas antigas.

Bem, na Páscoa, quando os fiéis destas Igrejas se encontram, até mesmo na rua, se cumprimentam de uma forma especial: “Cristo ressuscitou”, diz um, e o outro responde: “Ele verdadeiramente ressuscitou”.

Uma autêntica saudação cristã, que se torna uma confirmação. Um estímulo. Uma ajuda. Um testemunho.

Páscoa, como todas as festas cristãs, é antes de tudo uma experiência e um ato de fé. Não é uma festa qualquer para ser vivida de qualquer jeito.

Celebrar a Páscoa significa acreditar que a vida, a nossa vida de cada dia, com seus trabalhos, suas contradições, seus pecados, mas também seus sonhos, seus desafios, seus desejos, encontra o seu sentido e a sua força no Senhor Jesus, em sua morte e ressurreição.

Foi por isso que participamos da vigília. Por esta razão, todos os domingos, vamos à Missa. Para renovar a consciência de nós mesmos. Da nossa dignidade. De nossa natureza como filhos e irmãos. Dignos de viver, apesar de nossas fraquezas e limitações. Dos nossos pecados.

Franz Rosenzweig, um autor que pertence à tradição espiritual e filosófica judaica, em sua obra intitulada A estrela da redenção, descreve perfeitamente o sentido e o valor do domingo cristão, que é a Páscoa semanal. Parece que ele, mesmo sendo judeu, compreendeu aquilo que muitos católicos nem sempre entendem. Ele escreveu:

“No domingo, o cristão acumula o tesouro de fortalecimento espiritual que irá gastar durante a semana. A consciência cristã é sempre impulsionada a caminhar para o início, a partir do centro da vida. A cruz/ressurreição é sempre um começo, o início de todas as coordenadas que orientam o mundo. O cristão começa a contar o tempo partindo da cruz/ressurreição e até mesmo a fé recebe continuamente um novo impulso a partir desse ponto. Ele é sempre uma pessoa que começa. Sua tarefa não é tanto fazer e terminar: se o começo é bom, tudo é bom. Esta é a juventude eterna do cristão. De fato, cada um deles ainda vive seu cristianismo como se fosse o primeiro cristão. E assim, o domingo, com essa força que irradia a sua bênção sobre o trabalho dos dias da semana, é a imagem perfeita do poder do cristianismo, que se espalha sempre novo sobre o mundo.”

A todos, os meus mais sinceros votos de uma Feliz Páscoa!

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