Saiba como foi o início das Pontifícias Obras Missionárias

Annamaria Fornasiero, das Missionárias da Imaculada (MdL), em serviço pastoral

Confira a seguir as lembranças da Ir. Annamaria Fornasiero (MdL) a respeito do início da caminhada missionária a serviço das Pontifícias Obras Missionárias (POM)

 

A
década de 1970 foi marcada pela ditadura militar. À Igreja do Brasil, especificamente no setor da animação missionária, faltavam meios de divulgação de qualidade, conteúdo e criatividade. O único material entregue às paróquias para a divulgação da Campanha Missionária eram santinhos e cartazes. Padre Gaetano Maiello, do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME), foi quem abriu os horizontes da Igreja do Brasil para uma visão missionária renovada. Homem corajoso, obstinado, inteligente, alma de fogo, foi assessor nacional da então Linha 2 da CNBB, setor da Animação e Ação Missionária. Muito devemos a ele e ao apoio que teve dos bispos, particularmente de dom Aloísio Lorscheider, presidente da CNBB, e de dom Luciano Mendes de Almeida, secretário da mesma, para a abertura de horizontes no campo da missão. Nas reuniões da CNBB e nas assembleias nacionais, padre Maiello apresentava com força as conclusões do Concílio Vaticano II (1962-1965) sobre a missão, e repetia com obstinação e olhar aceso: “A natureza da Igreja é missionária e a missionariedade é tarefa de todos!”.

No Brasil, as Pontifícias Obras Missionárias (POM) foram oficializadas na cidade de São Paulo, em 20 de novembro de 1978, embora já existissem na prática, por iniciativa dos superiores provinciais das congregações missionárias – e padre Maiello foi o seu primeiro diretor. As pessoas que o auxiliaram no início foram as irmãs Benta Cinelli e eu, Annamaria Fornasiero, Missionárias da Imaculada-PIME, além dos padres Giovanni Murazzo, xaveriano, e Primo Silvestri, comboniano. As POM nasceram como organismos oficiais da Igreja católica para trabalhar na intensificação da animação, formação e cooperação missionária em todo o mundo. O caráter pontifício significa que são Obras do Papa para toda a Igreja.

Junto com outros membros de institutos missionários, o padre Maiello foi também o idealizador e o iniciador do Conselho Missionário Nacional (COMINA) que, desde suas primeiras reuniões, tinha a clareza de poder manter-se vivo e circulante o espírito do universalismo missionário nas comunidades eclesiais através da criação de Comissões Missionárias Regionais (COMIRES), organismos em nível de Estados.

Pontifícias Obras Missionárias

A árvore cresce

Quando a sede das POM se transferiu para Brasília, dois membros da sua equipe permaneceram em São Paulo: o padre Primo e eu, para darmos continuidade aos trabalhos de animação e maior amplitude ao projeto no interior do estado. Continuamos nossa atividade numa sala da sede da CNBB Regional Sul 1, no porão do Colégio Sion, onde atendíamos pessoas interessadas em informações sobre a Campanha Missionária e a distribuição do material do mês missionário, para que pudessem visitar e animar escolas, colégios, paróquias, mosteiros etc.

Na sede da CNBB demos início aos primeiros cursos de formação missionária para leigos, aos sábados. Um veículo (Fiat) amarelo foi-nos oferecido pelas POM de Brasília. Nossa pequena equipe lentamente começava a engrossar com a presença de colaboradores leigos, enquanto de Brasília chegavam frequentes solicitações para que déssemos particular atenção ao projeto de animação no interior do estado.

A sede da Regional Sul 1, onde funcionava o escritório das POM, facilitou o contato com as pessoas que lá trabalhavam ou circulavam, particularmente bispos, coordenadores de pastoral e assessores da CNBB. A oportunidade possibilitou o agendamento de uma reunião com os bispos das Províncias Eclesiásticas do Estado de São Paulo para a solicitação da formação do COMIRE Sul 1.

O sonho se realiza

No dia agendado, eu e o padre Primo nos apresentamos e conversamos sobre a necessidade da implantação da COMIRE para a animação, organização e articulação das Igrejas locais. Colocamo-nos à disposição para visitar os bispos das dioceses, e para participar de encontros e assembleias a serem promovidas pelas respectivas dioceses. Após explicações, titubeios e esclarecimentos, obtivemos o parecer favorável dos bispos provinciais e, assim, nos preparamos para iniciar as longas e, às vezes, dificultosas viagens de Fiat amarelo pelas estradas poeirentas do interior.

Nas dioceses visitadas encontramos bispos acolhedores, com belo espírito missionário, e também bispos preocupados com tantos outros problemas, receosos com o que estávamos propondo. Felizmente, o sonho se realizou na Assembleia Geral do Regional Sul 1. A COMIRE Sul, organismo do Regional Sul 1, marcava sua fundação em comunhão com as POM, COMINA, COMIRES e outras forças missionárias.

Das Missionárias da Imaculada, as irmãs Rita Cavenaghi, Maria de Fátima Guimarães Felizardo e Agnese Costalunga, além de religiosas de outras congregações, também contribuíram com vivo espírito missionário ao longo da caminhada dos POM. Eu, que durante toda a vida experimentei a suave e reconfortante alegria de evangelizar, não tenho dúvidas sobre as fontes da paixão missionária e que ainda hoje me animam: a oração e o encontro pessoal com Jesus Cristo. Eles sempre me impulsionam para novas periferias existenciais.

Assista a seguir o vídeo com mais detalhes sobre a atuação das Pontifícias Obras Missionárias:

 

Testemunho publicado na revista Mundo e Missão de março de 2019 – edição nº 230
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