Santuário de Aparecida: uma obra-prima da arte sacra

Uma jovem italiana relata as emoções que nela se despertaram ao visitar o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Confira:

 

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orola de luz é a síntese mais eficaz da visita ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, localizado no interior de São Paulo. Externamente, a construção em tijolos vermelhos por algumas de suas linhas curvas pode parecer uma corola sempre pronta a desabrochar, mas fechada à espera de uma possível abertura que, misteriosa e surpreendentemente, ocorre no interior. Júbilo de cores, dominadas pelo azul da água, forma a linfa vital que harmoniza o amarelo, o verde e o vermelho. Água, um elemento que dá vida a cada criatura e que une as cores. Celebração da criação colhida no contínuo desdobrar-se das estações que, pela humanidade, flui das eras. Celebração dos biomas em sua diversidade de plantas, animais e raças que sabem oferecer abundância e nutrição ao corpo e ao espírito somente em um encontro de sentido que ocorre diante da Cruz.

Suspensa no vazio da cúpula central, a Cruz de metal. O corpo de Cristo não está apoiado nem deitado na superfície, mas entalhado em um perfil que olha vertiginosamente para as cores que explodem ao seu redor. O azul do vidro dá forma à cabeça, aos braços e ao tórax do Senhor. Um ponto vermelho, por alguns momentos, faz “pulsar” o Coração de Cristo. O fluxo da criação adquire plenitude de sentido somente aos pés da Cruz; caso contrário, na sua ausência, torna-se experiência da perda, do envelhecimento, da privação.

A cruz olha para a Senhora Aparecida, uma pequena estátua em terracota que parece se perder nesse tão amplo espaço a ela dedicado. Sua pequenez desconcerta e, ao mesmo tempo, adverte a humanidade: não são as grandes obras que mudam o mundo, mas as pequenas, as invisíveis, muitas vezes vividas por pessoas tão simples como os pescadores que encontraram a estatueta no rio.

A Senhora Aparecida é o elogio da pequenez do homem e de sua obra, como instrumento de revoluções invisíveis que podem mudar a realidade: pequenez não como limite, mas como modalidade de operar entre as dobras da realidade. Grãos de areia e de arroz, sementes de frutas, botões de folhas, a pequenez como uma dimensão tenaz do nosso ser e do nosso passar por esta terra.

Subindo à cúpula, você volta à grandeza da construção e sente uma sensação de vertigem deslizando com os olhos sobre o ouro brilhante da abóbada e o branco do mármore do piso abaixo. E, mais uma vez o olho encontra a cruz, vista de cima, ainda mais sutil, pronta para desaparecer e se misturar à humanidade para fortificá-la e alimentá-la com renovada força.

A luz do sol que vem de fora anima o coração da igreja com novos reflexos em contínua transformação. O devir do mundo não é representado apenas pelas obras de Pastro, mas é vivido minuto a minuto na experiência pessoal da visita que conduz de um encantamento a outro, e de um mistério a outro, sob a proteção de Maria e de Cristo. Mãe e Filho são os guias desta jornada que solicita o espírito, obriga-o a abandonar sua veste ligada com laços de pequenas preocupações e eleva-o à altura da cúpula, dentro de uma ascensão de beleza.

O elogio da Beleza pode se tornar o primeiro degrau que leva à oração; contém a mesma gratidão para com quem deu vida a esse assombro. Ninguém e nada faltam a tal esplendor.

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Texto de Lucia Giroletti para a revista Mundo e Missão de dezembro de 2018 – edição nº 228
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