Um faz de conta que acontece

O (re)encontro com o “eu interior” por meio da série Once Upon a Time

 

Q
uem é que nunca se deliciou com as aventuras mágicas presentes nos Contos de Fadas? Desde a nossa infância somos convidados, no âmbito familiar ou escolar, a conhecer esses enredos por meio da leitura, da escuta ou das adaptações dessas histórias para as telas do cinema. É difícil quem não conheça as jornadas de Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, João e o Pé de Feijão, João e Maria, Branca de Neve e os Sete Anões, A Bela Adormecida, A Bela e a Fera, A Pequena Sereia, Cachinhos Dourados, A Princesa e o Sapo, dentre tantas outras tramas.

Os Contos de Fadas fazem parte de nós. Eles estão presentes na cultura mundial e na memória das pessoas há muitos e muitos séculos. É, na verdade, difícil mensurar uma data de origem para os contos. Cogita-se que eles são tão antigos quanto a oralidade, surgindo, então, a partir do momento em que nasceu a comunicação oral. Inicialmente, esses enredos eram transmitidos exatamente assim, pela oralidade, e após um longo tempo é que passaram a ser compilados e escritos.

No ano de 2011 a emissora americana ABC lançou o seriado Once Upon a Time (Era Uma Vez), a fim de resgatar na lembrança dos telespectadores essas histórias de fadas, as quais, ao contrário do que muita gente pensa, não são apenas destinadas às crianças. Esse seriado surgiu em um momento, quando, talvez, estivéssemos necessitando nos (re)aproximar de nós mesmos, da nossa “criança interna”.

Era uma vez…

Os criadores tiveram a brilhante sacada de, logo na primeira temporada, mexer com o nosso imaginário, a ponto de nos instigar a pensar em como seria se os personagens dos contos que tanto conhecemos tivessem sido retirados do seu mundo, a Floresta Encantada, e trazidos para o NOSSO mundo, o mundo real. E mais: sem se recordarem de quem eles realmente eram. Quantas vezes sentimos que fomos retirados do nosso mundo, tanto interno como externo? Quantas vezes sentimos que esquecemos de algo ou de alguém? Quantas vezes temos a sensação de que nos esqueceram?

Você pode estar dizendo: “Personagens dos contos de fadas no mundo real? Que besteira!”. Será que é besteira? Se pararmos para pensar, os contos são como espelhos de nós, seres humanos. Ao ler um conto estamos, na verdade, lendo a respeito de nós mesmos ou de aspectos de nós mesmos. Isso porque, nas linhas encantadas dessas histórias, estão presentes temas universais, tais como: nascimento, morte, amor, felicidade, medo, coragem, ansiedade, inveja, fome, bem x mal, luxúria, entre outros.

Em Once Upon a Time nos deparamos com diversos personagens e, consequentemente, diversas histórias, e estas, muitas vezes, entrelaçam-se umas às outras, como se formassem uma rede de relacionamentos. O mesmo não acontece conosco, em nossos “contos de vida”? Não criamos e recriamos redes de relacionamentos nas quais conhecemos novas pessoas e aprendemos com elas, assim como elas aprendem conosco?

Em cada temporada desse seriado alguma temática específica é tratada. Na temporada inicial acompanhamos a jornada de Emma Swan para voltar a acreditar na magia que já existe dentro dela. Ela é a Salvadora, a esperança de todos que vivem em Storybrooke. A partir do momento em que ela começa a (re)acreditar em si mesma, passa a perceber a magia ao seu redor. Ah! A esperança! Sentimento renovador! O seriado permite que, em tempos nebulosos, como os que vivenciamos e acompanhamos pelo mundo afora, resgatemos a nossa esperança, cultivando-a com mais cuidado e carinho.

Na trama, também há a presença de heróis e vilões, do bem x mal, de protagonistas e coadjuvantes de reinos distantes. O mesmo ocorre na nossa realidade. Por vezes podemos ser e agir como heróis ou como vilões, podemos ser e agir como os protagonistas ou os coadjuvantes, podemos ser e agir como os narradores ou escritores dos nossos contos de vida. Como você tem escrito e narrado a sua história?

Once Upon a Time nos relembra umas das grandes funções dos contos, a de despertar emoções, de modo que possamos enxergar as mais variadas possibilidades de soluções para os desafios que estamos vivenciando. Afinal, os heróis e as heroínas sempre contam com a ajuda de outros personagens que irão auxiliá-los a derrotar determinados monstros, não é? Algo semelhante ocorre com cada um de nós, já que também recebemos essa ajuda “mágica” no nosso dia a dia.

Que, após essas breves reflexões, você, caro leitor, possa, assim como os contos são iniciados com um “era uma vez”, tecer muitos “era uma vez” em seu conto de vida, chegando a infinitos “finais felizes”! Pois, como mencionou a personagem Mary Margaret/Branca de Neve nesse seriado: “Acreditar que um final feliz seja possível é uma coisa muito poderosa!”

 

 

Publicado no jornal Transcender de janeiro/fevereiro de 2018 – Ed. nº 44

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