Sintonia entre razão e emoção

O
choque térmico na atmosfera provoca tempestades que se vertem, muitas vezes, em chuvas de granizos. Em queda livre, e cada vez mais veloz, o granizo se esfacela no asfalto e escorre pelas sarjetas. Assim são as ideologias, os hábitos, o tempo. Vulneráveis e efêmeros, caem nos bueiros do passado. Não há como agarrar os tempos idos. Somente o agora nos pertence, este instante que logo se afunda, enquanto nos aponta um futuro com ares de esperança.

“Devagar com o andor, que o santo é de barro”, aprendemos. O que nós, gente comum, não conseguimos é acompanhar os avanços da cibernética e nem frear seus ataques virulentos. Não compreendemos as intenções da neurociência que vasculha neurônio por neurônio atrás da resposta que intriga a humanidade. E nem damos conta dos infinitos horizontes virtuais, em cujas teias os adolescentes e as crianças se consideram livres e importantes.

Penso que a angústia humana está justamente no perseguir estes horizontes, a fim de decifrá-los, mas perde o contato consigo mesmo, com a vida. Com a capacidade de experimentar emoções profundas, a alegria e a tristeza, o prazer da partilha, o vento no rosto.

Cibernética, neurociência, mundo virtual: realidades concentradas em poucas mentes, em mãos que manipulam emoções e controlam a razão de multidões. Afinal, é mesmo necessário produzir pessoas doentes para obter o “progresso” que privatiza lucros e socializa prejuízos?

Ainda no século passado, George Orwell (A Revolução dos Bichos, 1984) e Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), entre outros pensadores, preconizaram o que vivemos hoje: a concentração dos poderes e dos direitos em poucas mãos. Outros homens de nossos dias se preocupam em nos alertar. E o fazem com desvelo: o papa, o dalai lama, os responsáveis pelas organizações humanitárias… Mas o grande rebanho humano, passivo e dependente, ouve tais alertas à espera que as janelas e portas se abram, por si sós. Não as do mundo, bem entendido. As da própria alma.

Mundo e Missão quer que você abra suas portas e janelas e perceba que o progresso só recebe esse nome se for também humano. Ou seja, ele surge da união entre a inteligência e o caráter, a boa índole e a capacidade de amar a si mesmo, o próximo, a criação, Deus. Então, abra a revista. Aí vai uma procissão de sofrimentos, de dores e de desesperos. Mas também de atitudes éticas, de doação incondicional a Deus e ao próximo, de caridade sem segundas intenções, de maravilhas que os antepassados souberam realizar. E, finalmente, nela você também encontra a alegria do Evangelho.

Até o sol às vezes se esconde atrás de uma nuvem, mas não quer dizer que ele se foi. Coragem! O seu apoio ao nosso trabalho e nosso desejo de ver você feliz formam uma parceria formidável. Não podemos fazer a luz surgir (“Eu sou a Luz do mundo”, Jo 8,12), mas temos a oportunidade de nos abrirmos a ela.

Editorial publicado na revista Mundo e Missão de maio de 2018 – Ed. 222
Telefone: (11) 5549-7295
Fax: (11) 5549-7257
Rua Joaquim Távora, 686
04015-011 Vila Mariana, São Paulo - SP