Suas ações correspondem ao bem comum?

É possível que os sujeitos, por falta de educação, compromisso e responsabilidade, estejam atendendo mais aos apelos individuais que coletivos, buscando a satisfação de seus desejos pessoais em detrimento da lei e do direito, comuns a todos

 

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ma boa ação, para ser reconhecida como moral, resulta da convergência entre a consciência moral do agente, o conhecimento do bem comum e a experiência individual e comunitária do resultado de tal ação na vida dos sujeitos participantes dessa comunidade. Esta convergência, por sua vez, só é possível quando há um saudável, coerente e fluído trânsito entre os costumes de uma determinada comunidade e os hábitos praticados por aqueles que nela convivem.

Os costumes de uma comunidade (seja ela uma aldeia ou uma nação) recolhem, sistematizam e solidificam as melhores orientações e práticas, recolhidas ao longo da sua história, capazes de nortear a vida em comum. Em geral eles são formalizados em normas, regras ou leis que normatizam o comportamento dos sujeitos naquele ambiente. Os hábitos, por sua vez, se manifestam no exato momento da ação do sujeito, quando nela convergem os costumes enraizados na sua consciência moral e a situação concreta que exige ação, resultando em um bem que seja comum a todos.

Esta singular sintonia entre costume e hábito caracteriza a estabilidade moral, seja de uma família, de um pequeno grupo de amigos, de uma comunidade maior ou mesmo de toda uma nação.
Quando tal sintonia é ameaçada ou distorcida, experimentamos o que chamamos de crise moral. O nosso tempo parece estar ameaçado por essa crise: basta olharmos para a família, a Igreja, a sociedade, a política.

É possível que as normas, regras e leis tenham caducado e não mais respondam ao desejo, à busca e à experiência do bem comum. Se for esse o caso, os sujeitos resistirão em aceitá-las e cumpri-las, e, consequentemente, tais normas devem ser revistas.

Por outro lado, é também possível que os sujeitos, por falta de educação, compromisso e responsabilidade, estejam atendendo mais aos apelos individuais que coletivos, buscando a satisfação de seus desejos pessoais em detrimento da lei e do direito, comuns a todos. Nesse caso, é o indivíduo que precisa rever sua conduta moral.

Considerando que vivemos em um tempo de crise moral, urge que façamos uma constante revisão dos fundamentos da nossa moralidade, buscando a necessária coerência entre costume e hábito. Esse exercício se impõe com urgência e precisa nos envolver, a todos, quem quer que sejamos e onde quer que estejamos.

 

Publicado na revista Mundo e Missão de agosto de 2018 –  edição nº 223
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