A marca de um missionário
- Editora Mundo e Missão PIME
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- há 22 horas
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O padre Leopoldo Pastori deixou uma marca profunda em todos aqueles que o conheceram e que, tanto na Itália quanto na Guiné-Bissau, o consideram um santo.

Muitos que o conheceram acreditam que ele era um santo. Sobretudo na Guiné-Bissau, onde o padre Leopoldo Pastori permaneceu por cerca de dez anos, em diferentes momentos e lugares.
Leopoldo amava sobretudo duas coisas: a oração e a missão junto aos pobres. Em 1990, antes de partir novamente para a Guiné-Bissau e após quarenta dias de retiro no deserto, assumiu um compromisso ao qual permaneceu sempre fiel: rezar cinco horas por dia.
Santidade na provação
Mas não foi apenas isso. Sua breve e sofrida vida missionária deixou um profundo sinal de santidade. Ele viveu com fé lúcida e profunda a sua doença devastadora e o sentimento de inutilidade diante dos próprios esforços.
Os anos passados na Guiné-Bissau fizeram-no compreender o vazio deixado pela experiência colonial. Por isso quis recomeçar das coisas pequenas, frágeis e escondidas, porque acreditava firmemente que é justamente assim que a graça de Jesus se manifesta.
Hoje conhecemos Leopoldo também graças aos testemunhos e aos escritos sobre ele, às suas próprias cartas e gravações, ao seu testamento e ao seu diário espiritual.
Este último é um texto notável, que especialistas em teologia espiritual consideram comparável aos escritos de Santa Teresa do Menino Jesus e de Santa Elisabete da Trindade.
Raízes marcadas pela dor
Muito do que Leopoldo foi nasceu de suas raízes. Ele nasceu em Lodi, no dia 9 de fevereiro de 1939, em uma família modesta.
Seu pai, Annibale, operário, morreu de apendicite durante a guerra, aos 40 anos, quando Leopoldo tinha apenas cinco. Poucos anos depois, em 1948, também sua irmã mais velha, Elena, morreu aos 19 anos, por causa de uma doença contraída na fábrica insalubre onde trabalhava.
Essas duas tragédias abalaram profundamente a família e tiveram consequências irreparáveis na vida de Leopoldo.
A mãe, Francesca — uma presença fundamental e sua verdadeira guia espiritual — viu-se obrigada a confiá-lo ao orfanato de Lodi. Foi uma decisão dramática, mas que acabou tendo um impacto positivo em sua vida. Ali ele viveu doze anos de serenidade e até de alegria. Leopoldo aprendeu a viver com os outros, estudar e trabalhar, tocar música e jogar futebol.
O chamado missionário
Aos 17 anos, expressou o desejo de doar a própria vida à missão e, em outubro de 1957, entrou no seminário do PIME em Vigarolo.
Leopoldo tinha 30 anos quando, em 28 de junho de 1969, foi ordenado presbítero e chamado a dirigir o seminário menor de Sotto il Monte.
Ele pedia frequentemente para partir em missão e, em 1974, foi destinado à Guiné-Bissau.
A missão e a doença
Em uma carta ao superior, mencionou pela primeira vez o tema de sua saúde, admitindo ter o vírus da hepatite, ainda que “silencioso”.
Mesmo assim, dedicou-se ao trabalho missionário com grande generosidade, permanecendo sempre junto do povo, das crianças e dos pobres. A doença, porém, agravou-se. O fígado estava infectado e Leopoldo foi obrigado a se retirar para Dakar, no Senegal, onde viveu em isolamento, longe de todos.
Foram meses de grande sofrimento, nos quais escreveu cartas dramáticas.
Um exílio na Itália
Seus superiores o chamaram de volta à Itália porque sua vida corria perigo. Ele passou mais de um ano na casa do PIME em Gênova, seguindo rigorosamente as prescrições médicas: queria curar-se a qualquer custo para retornar à missão. Depois foi destinado ao seminário de Monza. Contudo, os doze anos passados na Itália representaram para Leopoldo uma espécie de exílio. Sua pátria do coração já era a Guiné-Bissau.
Durante esse período, pediu a todos os mosteiros de clausura que conhecia que rezassem por seu retorno à missão.
Seus superiores acabaram tranquilizando-se quanto ao seu estado de saúde e, no Congressino de 1990, aos 51 anos, ele recebeu pela segunda vez o crucifixo dos missionários que partem.
Este é um grande legado que ele deixou: os missionários vão em missão e também retornam a ela, mesmo que isso exija sacrifícios.
Os anos mais fecundos
Ele permaneceu na Guiné-Bissau por mais cinco anos e meio. Foram seus anos mais belos, que coroaram uma vida totalmente doada.
“Quero ser missionário-monge que, na oração e na caridade, testemunhe a ternura de Deus e a compaixão de Jesus. Viverei intensamente cada momento para a evangelização da Guiné”, escreveu.
Finalmente conseguiu realizar, junto com o companheiro padre Mario Faccioli, o projeto de uma casa de espiritualidade no vilarejo de ‘Ndame, a cerca de três quilômetros da capital Bissau.
Ainda hoje, esse é o lugar que melhor preserva sua memória.
Uma vida para os pobres
Em julho de 1995, menos de um ano antes de sua morte, Leopoldo escreveu uma síntese maravilhosa de sua vida missionária:
“Sou enfermeiro: hoje tratei doze crianças, de um a dez anos, com febre alta, vômito e diarreia por causa da malária.Sou encanador: levo água para os vilarejos, algo mais precioso que o ouro.Sou construtor: estamos terminando a terceira parte da pequena escola de ‘Ndame, que acolherá cursos de costura e bordado para mulheres e jovens.Sou horticultor: produzindo um pouco de frutas e verduras, meus balanta enriquecem sua alimentação tão pobre.Sou parteiro: as mulheres balanta são fortes e corajosas. Sozinhas, na mata ou nas cabanas, sobre a terra nua, dão à luz seus filhos. Avisam-me para que eu vá rezar, ajudar e dar o nome à criança.Sobretudo continuo sendo missionário: quanta misericórdia Deus semeia no mundo! Nos retiros semanais, quantas pessoas reencontram a paz do coração porque se sentem amadas e perdoadas por Deus! Nos vilarejos de ‘Ndame, cada cabana é um lugar onde Deus revela sua infinita misericórdia”.
Pentecostes: sua última Páscoa
Padre Leopoldo Pastori faleceu no dia 26 de maio de 1996, festa de Pentecostes. Tinha 57 anos.
Por Gianni Criveller - Mondo e Missione - Tradução e adaptação redação MM
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