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Aumento de desembarques em Lampedusa: oração e solidariedade pelos migrantes

Nunca houve tantos migrantes em um período tão curto na ilha: mais de sete mil pessoas desembarcaram nos últimos dias, e a chegada de mais barcos está prevista. Autoridades locais pedem intervenção urgente do Estado: "esta é uma emergência humanitária”. Ao mesmo tempo, a comunidade paroquial demonstra sua solidariedade realizando uma emocionante procissão em memória de todos aqueles que perderam a vida no Mediterrâneo.


Procissão em Lampedusa pelas vítimas no mar Mediterrâneo - Foto: Vatican Media

Mais de sete mil pessoas desembarcaram em Lampedusa nos últimos dias. Mil migrantes chegaram somente na noite de quarta-feira, 13 de setembro, quando infelizmente ocorreu a morte de uma menina de cinco meses que se afogou durante as complexas operações de desembarque. A casa de acolhimento de Imbriacola está transbordando, com mais de dez vezes a sua capacidade original de 600 pessoas. Esses são números que quebram todos os recordes anteriores de chegadas à ilha. Até mesmo para a Cruz Vermelha, a situação é "complexa" e uma fonte de alarme adicional: “o número de pessoas que chegam não parece estar diminuindo e é de se esperar que os desembarques aumentem nas próximas horas”.

A cidade de Lampedusa pede apoio

Diante deste cenário preocupante, o prefeito de Lampedusa, Filippo Mannino, fez um apelo veemente ao Estado, destacando a insustentabilidade da situação. Ele enfatiza a necessidade de intervenções estruturais após o término da emergência e propõe que se evite ao máximo os desembarques na ilha, transportando os migrantes diretamente para navios de resgate que os levariam para outras partes do país. Mannino também aponta para a necessidade de um sistema compartilhado de gestão da crise em nível europeu.

Paris e Berlim vão na direção contrária

Contudo, em meio a essa crise, alguns países europeus adotam uma abordagem contraproducente. A França, por exemplo, reforçou a fiscalização em suas fronteiras com a Itália para combater a "imigração ilegal". A Alemanha, por sua vez, anunciou que não receberá mais refugiados vindos da Itália, criticando a atuação do estado italiano e alegando que as políticas italianas não estão em conformidade com o Tratado de Dublin, que define os Estados competentes para receber pedidos de asilo. Essas ações destacam a crise na política comum de migração europeia.

De Roma o apelo à União Europeia

A Itália continua a argumentar que os fluxos migratórios não podem ser gerenciados de forma eficaz pelos países individualmente, enfatizando a necessidade de uma abordagem de solidariedade europeia. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, apoia essa visão, ressaltando que as soluções devem ser encontradas pela União Europeia, e incentivando a conclusão do "novo pacto sobre migração". No entanto, esse pacto tem sido objeto de críticas por reduzir os padrões de proteção para os migrantes, levantando preocupações de organizações humanitárias.

A solidariedade dos paroquianos de São Gerlando

Por outro lado, em meio a essa crise humanitária, a comunidade paroquial de São Gerlando em Lampedusa demonstra uma admirável solidariedade. Padre Carmelo Rizzo, pároco da ilha, em entrevista ao Vatican News, destacou como os gestos de caridade de sua comunidade não cessam, mesmo diante de uma crise tão profunda.

"Não, não há cansaço entre os paroquianos. Há muita generosidade e força de vontade", disse o sacerdote, continuando a contar as duras condições que os migrantes tiveram que suportar assim que desembarcaram: "O dia no píer foi difícil, porque havia um sol escaldante e não tinha água. Foi uma longa espera para eles, devido as inúmeras chegadas. Gerou-se uma certa tensão, mas eles só precisavam se alimentar e matar a sede". Padre Carmelo destacou o grande senso de generosidade da população: "As pessoas aqui conseguem se organizar imediatamente, abrem suas portas e disponibilizam o que têm em casa. O resultado é realmente fazer o que é certo".

Uma longa e emocionante procissão

A vigília liderada pelo prefeito da cidade e pelo pároco, na noite de ontem, 14 de setembro, acolheu a participação de centenas de pessoas, entre moradores da ilha e migrantes, que levaram uma cruz pelas ruas, enquanto todos ao redor continuavam com gestos de solidariedade para com os refugiados. Nesse meio tempo, os desembarques continuaram na ilha: 14 resgates foram realizados no espaço de 12 horas, trazendo outras 560 pessoas para Lampedusa, entre elas estão 291 menores desacompanhados. Um deles é uma criança de apenas três anos de idade, cujos pais morreram durante a travessia do deserto da Líbia: “a paróquia de São Gerlando está cuidando dele: aqui, também, os voluntários continuam incansavelmente preparando refeições e distribuindo produtos de primeira necessidade”, afirmou o padre Carmelo Rizzo.


Por Vatican Media


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