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Iêmen: Missionárias da Caridade levam esperança em meio à guerra

há 11 minutos
5 min de leitura

Durante um encontro no PIME, em Milão, como parte das iniciativas do mês missionário, dom Paolo Martinelli falou sobre a situação das religiosas que permaneceram em Sana’a e Hodeida, apesar da guerra e das difíceis condições de vida. Seu trabalho é “essencial” e “apreciado pela população local”. Novos confrontos entre os houthis e as forças apoiadas pela Arábia Saudita.

O tempo passa, a missão permanece. Missionários retratados há 25 anos e atualmente, mostrando uma trajetória de dedicação e serviço à missão. Foto: Reprodução Vatican Media
Foto: Reprodução AsiaNews

As Missionárias da Caridade, que permaneceram no Iêmen apesar da guerra na região do Golfo e das perseguições sofridas no passado, são um “sinal de esperança em um contexto que continua sendo marcado pelo conflito”. Foi o que relatou, na noite anterior, dom Paolo Martinelli, vigário apostólico da Arábia Meridional — região que compreende os Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen — durante um encontro organizado pelo Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME), em Milão, como parte das iniciativas do Outubro Missionário.


As religiosas de Madre Teresa estão atualmente presentes em Hodeida e Sana’a, duas cidades no norte do país, ambas sob o controle dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, que lutam contra o exército governamental, apoiado pela Arábia Saudita.


“Elas atuam desde 1973 e pagaram com sangue o preço da missão”, conta o bispo. Ao longo dos anos, acrescenta, conseguiram criar casas de acolhida. Uma delas fica em Aden e foi alvo de um ataque de um grupo extremista em 4 de março de 2016. Na ocasião, morreram, além de quatro religiosas, colaboradores muçulmanos que trabalhavam na instituição. Durante o ataque, um sacerdote salesiano indiano também foi sequestrado e permaneceu em cativeiro por 18 meses, até ser libertado.


Antes disso, em 1998, três Missionárias da Caridade haviam sido assassinadas em Hodeida. Um homem abriu fogo do lado de fora de uma igreja, matando as três religiosas. Apesar dessas tragédias, as Missionárias da Caridade “permaneceram e continuam muito ativas”, afirma dom Martinelli, contando também com a presença de um sacerdote que lhes oferece assistência espiritual. O próprio vigário apostólico mantém contato regular com elas e com o padre.


Religiosas acolhem os mais vulneráveis

“A situação era realmente difícil para padres e religiosas, mas estas últimas decidiram permanecer. Impressionam a serenidade e a determinação com que tomaram essa decisão”, recorda o vigário apostólico da Arábia Meridional.

Atualmente, as religiosas estão no norte do país, sob o controle dos houthis, em uma realidade missionária particularmente difícil.

Segundo dom Martinelli, elas administram duas casas de acolhida, que recebem mais de cem pessoas. Oferecem atendimento médico, apoio e cuidados aos idosos e a quem não tem abrigo. “Seu trabalho é essencial e apreciado pela população local.”


As irmãs acolhem a todos, mesmo em um contexto que continua marcado pela guerra. “Elas permanecem firmes, sustentadas pela fé, pela esperança e por uma profunda serenidade, que também as torna felizes, apesar de tudo”, testemunha o bispo.


O Vicariato procura apoiar as religiosas, sua presença e seu trabalho de todas as formas possíveis, embora seja muito difícil enviar alimentos, produtos de primeira necessidade e outros recursos.

Os líderes houthis demonstram respeito por elas em razão do testemunho de cuidado e caridade que oferecem à população, embora o ambiente continue hostil, já que se trata de autoridades militares.


Cristãos buscam ser sinais de paz

O encontro promovido pelo PIME, intitulado “Os cristãos no Golfo, profecia de paz no Oriente Médio”, teve como objetivo apresentar a vida das comunidades cristãs na região do Golfo Pérsico, então no centro do conflito entre Estados Unidos e Irã.


Durante a reunião, dom Martinelli falou sobre o desafio cotidiano de construir a fraternidade em uma Igreja formada inteiramente por migrantes e presente em países de maioria amplamente muçulmana.

A realidade tornou-se ainda mais complexa com a guerra. Seus efeitos continuam visíveis no bloqueio do comércio pelo estreito de Ormuz, nas dificuldades no mar Vermelho e no recrudescimento da violência entre os houthis e a Arábia Saudita.


Na semana anterior à publicação da reportagem, o reino saudita — considerado por muito tempo um fator de estabilidade e desenvolvimento — havia sido alvo de ataques com drones e mísseis balísticos lançados pelos rebeldes apoiados pelo Irã. Os ataques teriam causado pelo menos 14 mortes e centenas de feridos.


Uma crise humanitária devastadora

A guerra no Iêmen começou em 2014, como um conflito interno entre as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita e os rebeldes houthis, xiitas e próximos do Irã. O confronto se agravou em março de 2015, com a intervenção de uma coalizão árabe liderada por Riad, deixando mais de 10 mil mortos e 55 mil feridos.


Organizações independentes estimaram em cerca de 57 mil o número de mortes entre janeiro de 2016 e o fim de julho de 2018. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o conflito provocou a pior crise humanitária do mundo. A pandemia de Covid-19 e a emergência alimentar agravaram ainda mais a situação, com efeitos “devastadores” para a população civil.


Milhões de pessoas estão à beira da fome, e as crianças sofrerão as consequências por décadas. Em um cenário já frágil, a intensificação dos combates entre as forças governamentais e os houthis pelo controle de Bab el-Mandeb e pelo acesso ao mar Vermelho, somada à expansão do conflito para a Arábia Saudita, ameaça agravar a tragédia humanitária e pressionar ainda mais um sistema de saúde já debilitado.


Em Aden, sede do governo reconhecido internacionalmente, profissionais de saúde, entre médicos e enfermeiros, descrevem a situação como “desastrosa”. Aos efeitos da guerra somam-se as graves consequências dos cortes na ajuda internacional promovidos pelos Estados Unidos, pelo Reino Unido e por outros países doadores.

Em 2026, a resposta humanitária também sofreu com uma grave falta de recursos: recebeu menos de 20% dos 2,16 bilhões de dólares solicitados pelas Nações Unidas. A escassez obrigou organizações humanitárias a reduzir os serviços, deixando as instituições com menos recursos justamente quando, em fevereiro daquele ano, Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã, que depois se transformou em um conflito regional mais amplo.


Novas ameaças ampliam o conflito

Enquanto isso, os houthis ameaçam realizar novos ataques contra a Arábia Saudita. As ameaças surgiram poucas horas depois de uma incursão que teria causado grandes danos à sede da gigante petrolífera saudita Aramco, na cidade de Dhahran, no leste do país, embora não houvesse confirmação oficial.


Os locais atingidos — de aeroportos a instalações de energia — seriam considerados “alvos legítimos” pelos rebeldes, que alegam agir em retaliação aos bombardeios sauditas no Iêmen. A perspectiva é de uma nova intensificação da escalada militar relacionada à guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã.


Novos ataques entre as forças iemenitas e os rebeldes também foram registrados nas proximidades de Taiz, cidade submetida a um verdadeiro cerco enquanto as forças governamentais tentam avançar pela costa.


No sul do Iêmen, sob o controle do exército governamental reconhecido pela comunidade internacional, a situação continua “complicada e difícil”, explica dom Martinelli. No norte, por sua vez, os houthis conseguem exercer maior controle sobre o território.

Essa realidade também evidencia as dificuldades enfrentadas pelos agentes humanitários para levar ajuda e alívio à população.

“No norte, o interlocutor é claro; no sul, o cenário é mais fragmentado e há mais dificuldades para estabelecer relações com líderes e responsáveis”, explica o bispo.

“Temos interlocutores entre as agências internacionais que atuam no terreno e, também graças à colaboração delas, conseguimos apoiar ainda mais as irmãs.”

Uma Igreja unida na solidariedade

“Em nosso vicariato, somos uma única Igreja, embora vivamos situações muito diferentes. Cada um reza pelo outro, em Omã, nos Emirados e também no Iêmen. Existe um apoio concreto, na medida do possível, e somos um só corpo”, conclui dom Martinelli.

O vigário apostólico destaca ainda a estima que as religiosas conquistaram no país: “Quero ressaltar um último aspecto, não menos importante: impressiona-me o respeito que existe pelas irmãs que atuam no Iêmen e o reconhecimento de que o bem que realizam é um bem para todos, sem distinções.”


Por Dario Salvi - AsiaNews - Tradução e adaptação redação Mundo e Missão

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