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Padre Angelo Esposito dedicou a vida às crianças da Guatemala

há 9 minutos
3 min de leitura

Uma doença grave levou, no dia 7 de outubro, aos 53 anos, o missionário fidei donum da Igreja de Nápoles, que, com seu pequeno hospital, construiu pontes de solidariedade entre a Campânia, na Itália, e as crianças de Tacaná, na Guatemala. A lembrança de quem conviveu com ele.

O tempo passa, a missão permanece. Missionários retratados há 25 anos e atualmente, mostrando uma trajetória de dedicação e serviço à missão. Foto: Reprodução Vatican Media
Foto: Reprodução Mondo e Missione

A Igreja de Nápoles e a Diocese de San Marcos estão de luto pela morte do padre Angelo Esposito, missionário fidei donum da Campânia que, desde 2000, realizava seu apostolado missionário na Guatemala. Aos 53 anos, uma doença grave, que ele tentava tratar na Itália, o afastou das crianças às quais dedicou a vida em um país onde a pobreza e a desnutrição ainda atingem gravemente os pequenos. Publicamos a recordação de um colaborador que o conheceu na Guatemala e acompanhou muitas de suas iniciativas.


Um missionário próximo dos mais pobres

Conheci o padre Angelo Esposito depois do terremoto que atingiu a Guatemala em 2019. Ele havia escapado por milagre, mas sua casa ficou em ruínas. Enquanto estava instalado provisoriamente em outro lugar, contou-me que estava planejando construir um hospital para os pequenos maias, as crianças que o cercaram desde sua chegada a Tacaná, na América Central.


Sacerdote fidei donum da Igreja de Nápoles, padre Angelo era apaixonado por aquele povo, pela terra que o acolhera, pela natureza exuberante e pelas histórias que descobria ao mergulhar na realidade guatemalteca. Muitas dessas histórias eram marcadas pela pobreza e pela violência.


Ele construiu o pequeno hospital Los Angelitos e, recentemente, havia conseguido ampliá-lo, permitindo que crianças sem acesso à assistência médica recebessem tratamento.


Um trabalho que mobilizava comunidades

Sua atenção incansável às famílias e aos estudantes das aldeias fez dele, desde o início, um incentivador de projetos e encontros de diferentes tipos, dos quais me convidava a participar e contribuir.

Havia iniciativas sobre a preservação da natureza, a catequese, a solidariedade e, naturalmente, a oração. Ele era capaz de mobilizar escolas, prefeitura, jovens e, sobretudo, os mais esquecidos pela sociedade.


Voltei a visitá-lo em outra ocasião, vindo do México. Na fronteira, encontrei um casal de amigos que me levou em sua caminhonete até a colina de San Marcos, em Tacaná. Campos de cacau e plantações de café, que eu via pela primeira vez, compunham uma paisagem de verde intenso. O céu límpido se abria entre algumas bananeiras e as colinas.

Na igreja, padre Angelo parecia ainda mais um gigante, com seus quase dois metros de altura, em meio aos pequenos coroinhas e às coroinhas que serviam à missa. Depois dos cantos e das orações de agradecimento, ele já partia para organizar as atividades da tarde e do dia seguinte.


“É preciso sair cedo, ao raiar do dia. Não podemos voltar tarde. Ou você acha que as estradas daqui são iluminadas?”, advertia-me com severidade. Poucas formalidades e muita dedicação: ele não perdia tempo com coisas desnecessárias. Era preciso se preparar para encontrar os pobres e as comunidades que o esperavam havia semanas em lugares remotos.


A doença não interrompeu seus planos

O melanoma o havia trazido de volta à Itália havia mais de um ano, para receber tratamento urgente. Foi um período de sofrimento, tanto pelas terapias quanto pela distância da Guatemala, terra que amava.

Da Guatemala, amigos e o bispo, dom Bernabè de Jesus Sagastume, foram visitá-lo na Itália. Era um sinal de que a missão não parava, nem mesmo dentro das paredes do centro de reabilitação.


Aos 53 anos, padre Angelo continuava pensando em projetos, nas oportunidades que poderia oferecer ao seu povo e na ampliação dos cuidados de saúde para a população de Tacaná.


Uma missão que deixou marcas

No dia 7 de outubro, veio a notícia devastadora, para mim e para todos os que o conheciam: padre Angelo havia falecido. Uma notícia dolorosa e inesperada para aqueles que o aguardavam, sobretudo na Diocese de San Marcos. A Igreja de Nápoles chorou sua morte, junto com o cardeal Mimmo Battaglia e tantas pessoas que, ao longo desses anos, descobriram, graças ao exemplo do padre Esposito, como o anúncio da Boa e Bela Notícia pode ser vivo e transformador.


Padre Esposito, Angelo da missão, herói para tantas crianças que, graças a você, receberam cuidados, muitos abraços e o exemplo de um homem bom. Obrigado, em nome de todos nós.


Por Nicola Nicoletti - Mondo e Missione - Tradução e adaptação redação Mundo e Missão

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