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Mianmar: em meio à lei marcial, Rádio Veritas é fonte de esperança para fiéis

Pe. Joseph Thang Nen Zo Mung, diretor de Comunicações Sociais na Diocese de Kalay, constata com preocupação a situação dos jovens que “desejam a liberdade e a verdade, lutam e rezam”, e não querem ingressar no exército regular que “luta contra o povo”. Por isso, “preferem abandonar o país: muitos dirigem-se para a Malásia, Tailândia, Índia”, enquanto bispos, padres e religiosos cristãos estão sob atenta vigilância dos militares e não podem tomar posições políticas, sob pena de prisão.


Criança da etnia Rohingya refugiada em campo no distrito de Ukhia, Bangladesh. (AFP or licensors)

A junta militar no poder em Mianmar impôs a lei marcial em um total de 61 municípios, o que atinge 8,2 milhões de pessoas. Chegou-se a este número depois de o regime ter declarado a lei marcial nos últimos dias em três novos municípios do Estado de Shan (Mantong, Namhsan e Namtu). No entanto, estes locais estão sob o controle do Exército de Libertação Nacional de Ta'ang (TNLA), parte da aliança de forças da oposição.


O Exército de Libertação Nacional de Ta'ang (TNLA), o Exército Arakan e o Exército da Aliança Democrática Nacional de Mianmar uniram-se para formar a "Aliança Étnica das Três iemandades" que - tem união com as milícias espontâneas das "Forças de Defesa Popular" - lançou uma ofensiva em outubro de 2023 conhecida como “Operação 1027”, especialmente contra postos militares no norte do país.


Os cidadãos birmaneses que vivem sob lei marcial estão atualmente localizados nas regiões de Yangon, Mandalay, Sagaing, Magwe, Bago e Tanintharyi e são etnicamente Shan, Chin, Mon, Karen e Karenni, Bamar. A lei marcial foi declarada em oito municípios em 2021, em outros 48 em 2023 e em outros cinco em 2024. Nestas zonas está em vigor toque de recolher obrigatório, com restrições à circulação entre as 18h00 e as 6h00.


“A soberania de Mianmar permanecerá intacta”, afirmou o general Zaw Min Tun, porta-voz da junta. Contudo, notam os observadores, o exército está proclamando a lei marcial em territórios, distritos e municípios sobre os quais perdeu o controle, portanto, em áreas que deveria tentar recuperar.

Da região de Sagaing, no norte do país, uma das áreas mais atormentadas pelos confrontos, pe. Joseph Thang Nen Zo Mung, diretor das Comunicações Sociais da Diocese de Kalay – uma área com 60 mil católicos entre cerca de um milhão de habitantes – declarou à  Agência Fides que “os combates continuam e as pessoas não têm outra escolha senão fugir, aumentando o número de deslocados internos". “Alguns tentam regressar mas depois fogem novamente. Há uma grande mobilidade, as pessoas procuram refúgio e segurança, porque o exército continua a atacar os povoados”, acrescenta.


O sacerdote constata com preocupação a situação dos jovens que “desejam a liberdade e a verdade, lutam e rezam”, e não querem ingressar no exército regular que “luta contra o povo”. Por isso, explica, “preferem abandonar o país: muitos dirigem-se para a Malásia, Tailândia, Índia”, enquanto bispos, padres e religiosos cristãos estão sob atenta vigilância dos militares e não podem tomar posições políticas, sob pena de prisão.


Pe. Joseph Thang também está envolvido no serviço de língua chin da "Radio Veritas Asia", a emissora católica da Federação das Conferências Episcopais Asiáticas (FABC). A rádio oferece programas espirituais em línguas faladas em Mianmar, como Chin, Karen, Kachin, Bamar. 


"Nesta situação difícil e delicada – observa – a rádio representa um apoio espiritual, um consolo para todos os fiéis que vivem o deslocamento, as dificuldades e precariedades. Neste período de Quaresma, muito sofrido, em que muitas paróquias estão fechadas pelo conflito, o serviço de transmissão da Missa, das homilias, catequeses ereflexões espirituais é ainda mais apreciado pelos fiéis de Mianmar: ajuda a manter viva a fé, a esperança e a caridade”.

Por Agência Fides

 

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