Índia: religiosos idosos e doentes, nossos 'avós espirituais'


Na festa dos Santos Joaquim e Ana, avós de Jesus, celebrada no dia 26, a reflexão do superior da Vice-Província Majella dos Redentoristas Indianos: “Mesmo para as famílias religiosas, cada irmão idoso é uma jóia escondida que deve ser guardada com cuidado”.


Pe. Ivel com um companheiro de comunidade idoso - Créd. AsiaNews

Na liturgia do dia dos santos Joaquim e Ana, avós de Jesus, o Papa Francisco nos convidou a dar importância a este evento instituindo o Dia Mundial dos Avós, que se celebra no domingo mais próximo. Recordando-o no domingo - no Ângelus recitado a sós com os jornalistas durante o voo que o levou ao Canadá para a sua atual viagem apostólica - convidou-nos a não esquecer "os 'avós' da vida consagrada", convidando os jovens religiosos e noviços a cultivar a relação com os confrades idosos.


Sobre este tema de proximidade com os religiosos idosos publicamos o testemunho do Pe. Ivel Mendanha, superior da Vice-Província Majella dos Redentoristas Indianos.


O cuidado dos irmãos idosos e doentes é parte integrante da vida apostólica dos missionários redentoristas. Não importa o trabalho que ele faça, seja na formação, na administração, na pregação, envolvido em diferentes aspectos da missão, ou confinado em seu quarto e cama devido à doença e à idade: ele é sempre um missionário redentorista.


Nos últimos dois anos tivemos quatro confrades que foram a Deus na velhice. Cada um deles foi assistido durante o período de doença por enfermeiras especialmente treinadas que viviam e acompanhavam a comunidade dia e noite, para que os confrades pudessem participar da vida cotidiana da comunidade missionária mesmo sendo idosos e doentes. Os melhores arranjos foram feitos para que tivessem toda a assistência médica e de enfermagem necessária e sobretudo os confrades estavam sempre com eles para a oração, a celebração da Eucaristia, conversas pessoais e recreação comunitária.


“Sou eternamente grato a você, meu querido Pai, por tudo que você faz por mim”, Pe. Antonio Rodrigues, que faleceu aos 96 anos há alguns anos.

Atualmente, o mais velho dos Redentoristas na Índia é o Pe. Frankie Menezes, 81, notável pregador de missões e retiros e grande comunicador. Hoje ele sofre de Alzheimer e está internado em uma casa de repouso administrada pelas Irmãs de São José de São Marcos no distrito de Palghar, em Maharashtra, a 3 horas de carro da cidade de Mumbai. Eu o visito regularmente pelo menos duas vezes por mês e passo um dia com ele. Ele nem sempre se lembra do meu nome, mas fica feliz em me ver e ri e sorri, emociona-se quando conto aspectos importantes de sua vida passada.


Os Redentoristas de nossa comunidade se revezam para visitá-lo todos os meses e passar um dia com ele. Trouxe todos os nossos padres mais jovens para visitá-lo e receber sua bênção, incluindo nossos jovens seminaristas. Passar um dia com ele desperta sentimentos contraditórios em mim. Tristeza por ver um irmão meu extraordinário neste estado, mas também alegria por vê-lo sorridente e feliz, tão bem cuidado em todos os aspectos do cuidado geriátrico pelas freiras e funcionários da casa.


Cuidar dos confrades idosos e enfermos, fazer com que estejam felizes e em paz, que suas necessidades sejam atendidas e que tenham o sentimento de pertença à Província foi e será uma das principais prioridades da vida apostólica de nossa Província . É uma forma de expressar nossa gratidão aos irmãos idosos e enfermos por sua contribuição à vida da Província através de suas orações, da oferta de seus sofrimentos pelas intenções da comunidade e das palavras de sabedoria nascidas da experiência que oferecem à todos e sobretudo a mim que os visito com frequência. Cada irmão idoso e doente é a joia escondida da Província, escondida porque não está mais no ministério ativo, mas é um tesouro porque cada um é um dom.


Por Pe. Ivel Mendanha - superior da Vice-Província Majella dos missionários redentoristas indianos (com a colaboração de Nirmala Carvalho) - AsiaNews - tradução e adaptação Valesca Montenegro