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Papa Leão: «Testemunhas desarmadas e desarmantes de uma paz próxima»

Divulgada a mensagem para a Jornada de 1º de janeiro de 2026, inspirada nas palavras pronunciadas logo após a eleição. A denúncia de uma «lógica contrapositiva que considera uma culpa não se preparar suficientemente para a violência». E a recordação das palavras de santo Agostinho: «Quem ama verdadeiramente a paz ama também os inimigos da paz».

Foto: Zaur Ibrahimov @Unsplash
Foto: Zaur Ibrahimov @Unsplash

«A paz esteja com todos vocês!»

«A paz esteja com todos vocês!». Foi a primeira saudação que o Papa Leão XIV dirigiu ao mundo, ao aparecer na Praça São Pedro após o Conclave. Uma saudação “antiquíssima” e, ao mesmo tempo, atual em muitas culturas. «Desejo reafirmá-la: esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, Deus que nos ama a todos incondicionalmente», afirma Prevost na mensagem para a LIX Jornada Mundial da Paz, celebrada em 1º de janeiro de 2026. O texto foi divulgado hoje também em russo e ucraniano, além das traduções habituais, para chegar àqueles lugares onde a paz é particularmente desejada.


Trevas e luz: a paz que ilumina

São justamente aquelas primeiras palavras que inspiram a Jornada. O Papa constata o contraste entre “trevas e luz”, descrito no texto como «uma experiência que nos atravessa e nos abala diante das provações que encontramos». A paz tem “o poder de iluminar”: vence guerras e violências e se opõe a elas com o “sopro do eterno”. «Enquanto ao mal se grita “basta”, à paz se sussurra “para sempre”», afirma Leão XIV. À paz introduz o Ressuscitado. «Nessa expectativa vivem as operadoras e os operadores da paz que, no drama do que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite».


«Abramo-nos à paz»

O Papa dirige um convite direto a todos: «Quer tenhamos o dom da fé, quer nos pareça não tê-lo, caros irmãos e irmãs, abramos-nos à paz». Há o risco de considerá-la «distante e impossível», quando ela é «presença e caminho». «Mesmo que seja contrastada, tanto dentro como fora de nós, como uma pequena chama ameaçada pela tempestade, cuidemos dela sem esquecer os nomes e as histórias de quem a testemunhou. Ela é um princípio que guia e determina as nossas escolhas», acrescenta, inclusive onde «restam apenas escombros e a desesperança parece inevitável».


A coragem de uma resposta não violenta

O caminho da paz, porém, pode provocar «perturbação e medo». Foi o que viveram os discípulos quando Jesus lhes pediu uma «resposta não violenta» à violência por Ele sofrida, antes da prisão. «Desarmada foi a sua luta – afirma o Papa –. Dessa novidade, os cristãos devem tornar-se, juntos, testemunhas proféticas, conscientes das tragédias das quais tantas vezes se tornaram cúmplices». Quando a paz é vista como um “ideal distante”, corre-se o risco de «não considerar escandaloso negá-la e até de fazer guerra para alcançar a paz».


A lógica da violência e a ilusão da dissuasão

Leão XIV denuncia a existência de uma «lógica contrapositiva» que considera uma “culpa” não se preparar suficientemente para a violência. «É o dado mais atual de uma desestabilização planetária cada vez mais dramática e imprevisível», explica. «A força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força». O texto recorda que, em 2024, os gastos militares globais aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior. À luz de santo Agostinho, o Papa recorda: «Quem ama verdadeiramente a paz ama também os inimigos da paz».


Gaudium et spes e os novos desafios da guerra

O Papa retoma a constituição conciliar Gaudium et spes, ainda atual ao descrever a “prática bélica”. «Os bispos do mundo inteiro, agora reunidos, suplicam a todos, especialmente aos governantes e aos supremos comandantes militares, que considerem continuamente, diante de Deus e de toda a humanidade, o enorme peso de sua responsabilidade». Leão XIV alerta ainda que o avanço tecnológico e o uso das inteligências artificiais no âmbito militar «radicalizaram a tragicidade dos conflitos armados», acompanhados por um preocupante «processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares».


Fratelli tutti e o desarmamento integral

Por fim, o Papa cita a encíclica Fratelli tutti, pelo seu contributo ao «despertar das consciências e do pensamento crítico», inspirada em São Francisco. Recorda palavras do Papa Francisco: «A fragilidade humana tem o poder de nos tornar mais lúcidos quanto ao que permanece e ao que passa, ao que faz viver e ao que mata». Retoma também o ideal do “desarmamento integral” desejado por João XXIII, sublinhando o papel das religiões como «serviço fundamental à humanidade sofredora», vigilantes contra a tentação de transformar «até os pensamentos e as palavras em armas». E conclui com um desejo: que todas as comunidades do mundo se tornem «“casa da paz”, onde se aprende a desarmar a hostilidade por meio do diálogo, onde se pratica a justiça e se preserva o perdão».


Por Redação Mundo e Missão

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