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Seminaristas vicentinos na Tanzânia ‘abrindo espaço para Deus’ apesar da falta de espaço

Os seminaristas de Morogoro, na Tanzânia, usam o que têm para completar o seu caminho de fé, seguindo os passos de São Vicente de Paulo, com compaixão e generosidade.


Seminaristas extraem óleo de sementes de girassol - Fotos Vicentinos

Os primeiros missionários vicentinos chegaram à Tanzânia em 1993 e, desde então, a missão tem crescido constantemente. “Proclamar a Palavra do Senhor” é o carisma da Ordem religiosa, e os Vicentinos na Tanzânia fazem precisamente isso.


Não tínhamos certeza do que exatamente encontraríamos enquanto nos dirigíamos de Dar es Salaam até Morogoro, uma viagem de cinco horas.


O que certamente não esperávamos, quando finalmente chegamos ao Seminário São Vicente de Paulo, era que no estacionamento estivessem 41 seminaristas sorridentes, dançando e cantando.


“Sua vinda é uma bênção para todos nós”, cantavam eles, enquanto colocavam flores em nossos pescoços e dançavam conosco enquanto nos dirigíamos ao refeitório, onde compartilhamos uma refeição. Foi quando percebemos pela primeira vez que poderia haver um problema. Os seminaristas aglomeravam-se em torno das suas pequenas mesas redondas, se espremendo em cada uma delas, para que também nós tivéssemos uma mesa onde comer. Mal havia espaço para todos.

Depois do jantar, uma rápida caminhada pelo seminário – mesmo no escuro, era possível distinguir suas paredes pintadas de cores vivas, alegres e divertidas, assim como foram as boas-vindas, ou “Karibu” em suaíli.


Todos os seminaristas se reuniram para assistir à Premier League da Tanzânia: Simba x Singhita Fountain Gate na sala de recreação; aqueles que tiveram sorte conseguiram assentos e os outros ficaram de pé no fundo.


Descemos o corredor e chegamos à capela, cada banco abarrotado de livros e canetas do seminarista, cada lugar designado – os últimos a chegar tinham cadeiras no fundo.


Pátio do seminário

“Não sabemos onde colocar todos”, diz pe. Mushi, Reitor do seminário. Ele apontou para as cadeiras no fundo da capela. “Estas estão todas ocupadas”, mas se alguém novo chegar, não terá para onde ir.

Na verdade, comentou Pe. Yuda, Superior Regional dos Vicentinos na Tanzânia, nos últimos anos, a congregação teve que recusar vários candidatos que queriam ingressar no seminário. “Não temos problemas com vocações - explicou ele - temos um problema de capacidade”.


Os homens já estão dividindo quartos, a maioria em duplas, outros em quatro. Eles criaram uma família, uma verdadeira comunidade, seguindo o legado do seu pai fundador, que nunca pediu muito.

E embora estes jovens também não peçam muito, é claro que precisam de mais. Na época das chuvas, as suas bicicletas não os levam através da terra lamacenta até às universidades e, na época da seca, a falta de água não permite que a sua horta floresça.



Suas galinhas e patos são guardados para convidados especiais porque, como disse Pe. Mushi brincou: “esses garotos acabariam com eles em meio dia!”


Enquanto se sentam no jardim esmagando girassóis secos para extrair as sementes, das quais produzem o óleo de cozinha, fica claro que estes jovens são tão auto-suficientes quanto os seus meios lhes permitem ser.


Humphrey, que está estudando filosofia no terceiro ano, sorri para mim. Ele me conta timidamente sobre sua jornada de fé e sobre seu desejo de dedicá-la à ajuda humilde aos pobres. Humphrey é um belo exemplo de humildade, dedicando sua jornada de fé a seguir os passos de São Vicente de Paulo. Todos os seminaristas são.


Um dos oito computadores que os 41 seminaristas compartilham

Visitamos seus quartos, olhando os pôsteres nas paredes e os livros.

Todos os 41 compartilham oito computadores e “uma única impressora seria ótimo”, dizem. Todos são estudantes e nem sempre é possível viajar e gastar dinheiro para imprimir.



Mas fazem tudo parecer possível, guiados pelo seu reitor, que por sua vez é guiado pelo superior regional, cada um cuidando enormemente do outro, e isso transparece claramente.


Então, nos despedimos. As cadeiras foram movidas para o lado da sala e os homens entraram um por um, cantando uma canção tradicional, vestidos com roupas tradicionais, cantando, dançando e rindo.

Eles obviamente gostaram de se apresentar para nós e nos divertimos muito assistindo. Um dos diáconos recém-ordenados fez-nos um discurso de agradecimento e o grupo irrompeu numa “Ave Maria” perfeitamente harmonizada, fundindo duas belas culturas numa única vocação poderosa.


A Igreja, a Tanzânia e o mundo inteiro merecem mais seminaristas como estes, e estes jovens merecem um espaço para viver e estudar, a fim de se tornarem os líderes maravilhosos que estão destinados a ser.



Por Francesca Merlo – Morogoro, Tanzânia


 

 

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