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O cuidado que gera futuro

Em um contexto como o da Guiné-Bissau, em que as instituições enfrentam dificuldades para garantir segurança e serviços essenciais, o Hospital de Bôr assegura assistência a dez comunidades, devolvendo dignidade aos mais vulneráveis. Também graças aos missionários do PIME.

Reprodução Mondo e Missione
Reprodução Mondo e Missione

Desafios na região de Biombo

As estradas de terra, os vilarejos isolados e as longas distâncias a percorrer dizem muito sobre a região de Biombo, na Guiné-Bissau. Aqui, o direito à saúde ainda é, para muitos, uma promessa não cumprida — e quem paga o preço mais alto são sobretudo as crianças, cujas vidas são frequentemente marcadas por doenças preveníveis ou tratáveis, mas que se tornam fatais na ausência de assistência adequada.


Um dos países mais pobres

A Guiné-Bissau é um dos países mais frágeis da África Ocidental. Com uma população de mais de 2 milhões de habitantes, está entre os mais pobres do mundo. Basta considerar que quase 70% da população vive abaixo da linha da pobreza, em uma economia baseada na agricultura, mas limitada por deficiências de infraestrutura, baixa produtividade e dependência sazonal. A isso se somam altos índices de analfabetismo e um sistema de saúde frágil, onde a expectativa de vida chega a apenas 64 anos e a mortalidade infantil permanece entre as mais elevadas da região.


Sistema de saúde fragilizado

Nesse contexto, o sistema de saúde nacional é particularmente vulnerável, com carências estruturais, falta de profissionais qualificados e infraestrutura inadequada. Nas áreas rurais, a distância dos serviços e a escassez de recursos tornam o acesso aos cuidados extremamente difícil. Mesmo na capital, o único hospital público enfrenta dificuldades para garantir condições adequadas, deixando grandes lacunas na assistência.


Origem do Hospital de Bôr

Para responder a essa emergência sanitária nasceu o Hospital Pediátrico São José de Bôr, fruto de uma iniciativa da diocese de Bissau e do empenho do padre Ermanno Battisti, missionário do Pime. O hospital se baseia em um princípio simples e radical: nenhuma criança deve ser excluída dos cuidados por sua origem, fé ou condição social. Com o tempo, esse espaço tornou-se muito mais que uma estrutura de saúde: transformou-se em um lugar onde o cuidado se entrelaça com a escuta e o respeito pela dignidade humana.


Assistência contínua às comunidades

Desde 2002, com o início do projeto K024 da Fundação Pime, o Hospital de Bôr garante assistência médica contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana, a uma população que abrange dez comunidades locais. Nascido como hospital pediátrico, ao longo do tempo ampliou seus serviços também para a população adulta, tornando-se uma referência nacional em saúde. Hoje, recebe pacientes não apenas de Bôr e da capital, mas também de regiões distantes do país, sendo muitas vezes a única alternativa concreta ao hospital público.


Acolhida que gera esperança

Dia após dia, a estrutura acolhe crianças e famílias vindas de vilarejos distantes, muitas vezes após viagens longas e difíceis. Para muitos, representa a única possibilidade real de receber atendimento. Ao lado dos cuidados médicos, constroem-se relações de confiança e esperança. Mesmo fora dos muros do hospital, a atenção permanece viva, alcançando as comunidades mais isoladas, especialmente nos períodos em que as doenças se intensificam, e acompanhando as crianças mais frágeis em seu processo de recuperação.


Uma equipe dedicada

Tornar tudo isso possível é o trabalho de uma equipe local que atua diariamente com competência e dedicação, apoiada por pessoas que escolhem colocar seu tempo e suas habilidades a serviço dos outros. Trata-se de um compromisso aparentemente silencioso, enraizado no território e orientado para o futuro com responsabilidade.


Uma presença essencial hoje

Hoje, sob a supervisão do padre Davide Sciocco, o Hospital São José de Bôr continua sendo uma presença essencial, oferecendo cuidados específicos a cerca de 2.500 crianças e adolescentes e assistência médica a aproximadamente 2.000 adultos, com especial atenção à saúde materno-infantil e aos grupos mais vulneráveis.


Esperança em meio à fragilidade

Infelizmente, a Guiné-Bissau segue marcada por fragilidade política e dificuldades econômicas, em um cenário no qual as instituições lutam para garantir segurança e serviços básicos. Nesse contexto, o Hospital de Bôr representa um lugar onde o compromisso se transforma diariamente em esperança, dignidade e futuro.

Com o seu apoio, podemos continuar sustentando esse importante projeto e garantir a continuidade de um serviço de saúde essencial, capaz de oferecer cuidados, prevenção e acompanhamento às comunidades mais vulneráveis da Guiné-Bissau.


Por Anna Fatima Pasqual - Mondo e Missione - Tradução e adaptação Valesca Montenegro - redação Mundo e Missão

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