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Igreja Peregrina e Celeste

“Como Israel segundo a carne, que peregrinava no deserto, já é chamado de Igreja de Deus, assim o novo Israel, que ainda caminha no tempo presente e se dirige para a futura e perene cidade, se chama também Igreja de Cristo, pois que Ele a adquiriu com o seu próprio sangue, encheu-a com o Seu espírito. Destinada a estender-se a todas as regiões, ela entra na história dos homens, ao mesmo tempo que transcende os tempos e as fronteiras dos povos.” (Lumen Gentium, 9)


♦ “A Igreja,.. só na glória celeste alcançará a sua realização acabada, quando vier o tempo da restauração de todas as coisas (cf. At. 3,21) e, quando, juntamente com o género humano, também o universo inteiro, que ao homem está intimamente ligado e por ele atinge o seu fim, for perfeitamente restaurado em Cristo (cf. Ef 1,10; Col. 1,2).

Na verdade, Cristo,... ressuscitado de entre os mortos (cf. Rm 6,9), infundiu nos discípulos o seu Espírito vivificador e por Ele constituiu a Igreja.....; sentado à direita do Pai, atua continuamente na terra, a fim de levar os homens à Igreja e os unir mais estreitamente por meio dela, e, alimentando-os com o seu próprio corpo e sangue, os tornar participantes da Sua vida gloriosa.

♦ Enquanto não se estabelecem os novos céus e a nova terra em que habita a justiça (cf. 2Pd 3,13), a Igreja peregrina, nos seus sacramentos e nas suas instituições, que pertencem à presente ordem temporal, leva a imagem passageira deste mundo e vive no meio das criaturas que gemem e sofrem as dores de parto, esperando a manifestação dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 19-22).

♦ A comunidade cristã, conjunto de homens e mulheres, reunida em oração, livre das sugestões do mundo, unida ao seu Senhor que celebra seus mistérios, é o espaço e lugar da revelação do Espírito, que abre ao anúncio até os confins da Terra, iluminando os passos para onde ir nas estradas do mundo e evitar o perigo de tornar absolutos os interesses e valores secundários, que atrasam e desviam o caminho ao encontro da humanidade na experiencia profunda com Deus.


É uma viagem difícil, testemunhada desde sempre pelo Antigo e Novo povo de Deus: No símbolo da passagem do Mar Vermelho, lugar da morte, que se abriu ao povo de Deus, permitindo-lhe começar a viagem rumo à vida na terra prometida (cf. Ex 14,21-22);


Na necessidade de renovar os nossos compromissos cristãos: “se vos desagrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir...” O povo respondeu: “Longe de nós abandonarmos o Senhor. Ele é o nosso Deus, ele que nos tirou, da terra do Egito, da casa da servidão... e guardou-nos ao longo de todo o caminho que percorremos...” (Js 24,15ss)


Nos momentos de medo de perder a vida: “Passemos para o outro lado... Levaram-no consigo na barca... Nisto surgiu uma grande tormenta e lançava as ondas dentro da barca... Jesus achava-se na popa, dormindo sobre um travesseiro. Eles acordaram-no e disseram-lhe: ‘Mestre, não te importa que pereçamos?’ E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: ‘Silêncio! Cala-te!’ E cessou o vento e seguiu-se grande bonança.” (Mc 4,35ss)


Na morte, encontramos Jesus que nos liberta: “.... levavam a ser sepultado, o filho único de uma viúva; ... Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: ‘Não chores!’ E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: ‘Moço, eu te ordeno, levanta-te’.” (Lc 7 12ss)


♦ O autor da Carta aos Hebreus nos lembra que "não temos aqui cidade permanente, mas vamos em busca da futura" (Hb 13,14) e, depois desta experiencia terrena, temos o encontro “na cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos, da assembleia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição" (Hb 12, 22-23)


REFLEXÕES a atualizar na catequese com os jovens


+ A condição espiritual da comunidade cristã, antes de ser um grupo pastoral e caritativo, que valoriza as qualidades de seus membros, aparece-nos como uma comunidade de oração, sempre à espera do Espírito Santo. (cf. At 4,32-35; 13,1-4) . Em força desta experiência humana e de fé, os cristãos se julgam escolhidos para uma missão: testemunhar ao mundo que Jesus é o Salvador universal dos povos.


+ Até hoje ressoa aquele “reservai para mim Barnabé, Paulo....”. Jorge, Laura... é o Espírito que chama pelo nome; que ensina a Palavra, que nos impele a ter sede de busca dos valores autênticos; é Ele que, no silêncio e na oração, nos dispõe à calma interior e a perceber o convite a segui-lo na construção do projeto do reino. Afinal, sempre temos que nos interrogar: “O que o Senhor quer de mim? Para que me criou?”


+ A comunidade cristã não pode permanecer fechada em si mesma, não tem em si mesma a própria razão de ser: é chamada a sair, a difundir-se pelo mundo, a espalhar a Palavra como o “bom semeador”, a gritar que no seu seio há rios de águas borbulhando de vida eterna para a sede do mundo.


Por Pe. Gianfranco Vianello, PIME


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