A Igreja santa

“Edificarei a minha Igreja”, disse Jesus no célebre trecho de Mateus (Mt 16,18); a Igreja é, portanto, obra sua, ou melhor, é sua e não se deve supor que o filho de Deus seja um construtor distraído ou descuidado. Por isso, “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

♦ Paulo fala da “Igreja de Deus que ele adquiriu para si pelo sangue do seu Filho” (At 20,28). Por essa visão de Igreja: Corpo de Cristo, Esposa de Cristo, Paulo deduz a santidade da Igreja, fruto do amor redentor que a investiu: “Cristo amou a Igreja, e se entregou por ela para torná-la santa (Ef 5,25-26). “Pois Ele quis apresentá-la a si mesmo toda bela, sem mancha nem ruga ou qualquer reparo, mas santa e irrepreensível” (Ef 5,27).


♦ Isso não significa que os membros da Igreja sejam frágeis e sem pecado. No Novo Testamento existem reprovações e críticas para todos. (1Ts 4,10-12; 1Cor 3,1-4; 5,1-13). Os membros, até os mais ilustres e responsáveis, não são protegidos de qualquer avaliação negativa.


♦ Dizem os Padres da Igreja (Padres da Igreja foram influentes teólogos, importantes bispos, professores e mestres cristãos, ndr) que a Igreja é “santa” e, ao mesmo tempo, “pecadora”. A Igreja não é sem pecadores, mas sem pecado. No nosso comportamento, na nossa vida, no nosso coração se enfrentam a Igreja e o mundo, o Cristo e o demônio, a luz e as trevas. A Igreja divide, dentro de nós, o bem e o mal: segura o bem e abandona o mal. Seus limites passam através dos nossos corações.


♦ Existe um dogma indiscutível da cultura profana que afirma que a Igreja deve ser considerada pecadora. Deve-se essa tendência ao fato de que o homem de hoje é inclinado a transferir a sede da responsabilidade do seu coração e do seu comportamento para a sociedade e suas estruturas.


♦ Fala-se do pecado social, estrutural, que é um esquema proveitoso para as ideologias de toda cor: já que a Igreja está presente em todas as épocas, envolvida nos acontecimentos de todos os séculos, ela se presta a ser responsabilizada por todo débito e toda culpa. Outros organismos imputados não comparecem ao tribunal da história: são foragidos, até porque nenhum sobrevive. Foi dito que a história é sempre justificadora, não é jamais justiceira; mas parece que, para a Igreja, esse princípio não deva valer, dizia o cardeal Giacomo Biffi.


Escreve o Catecismo da Igreja Católica:

“A Igreja é (...), aos olhos da fé, indefectivelmente santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado ‘o único Santo’, com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para santificá-la, uniu-a a Si como seu Corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo a para glória de Deus.” A Igreja é, pois, ‘o povo santo de Deus’, e os seus membros são chamados ‘santos’ (823).


A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e n'Ele toma-se também santificante. “Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim para a santificação dos homens em Cristo e para a glorificação de Deus”. É na Igreja que se encontra “a plenitude dos meios de salvação” (298). É nela que “nós adquirimos a santidade pela graça de Deus”.


“Na terra, a Igreja está revestida duma verdadeira, ainda que imperfeita, santidade. Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir: Munidos de tantos e tão grandes meios de salvação, todos os fiéis, seja qual for a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor à perfeição do Pai, cada um pelo seu caminho” (825).


REFLEXÕES para a catequese com os jovens


+ Somos marcados pelo selo do Espirito Santo, recebido no Batismo e continuamente oferecido nos sacramentos e na Palavra de Deus.


+ Para renovar o compromisso de transformar a nossa vida segundo o chamado e o convite de Deus “sejais santos como eu sou santo”, afim de que as nossas obras sejam proveitosas para construir a justiça e a paz onde vivemos, precisamos tomar distância do pecado, que pretende desorientar a nossa existência segundo o projeto de Deus.


+ A tua presença na comunidade reclama a tua santidade também! As tuas escolhas, pensamentos, avaliações, se tornam necessárias para elevar e construir a beleza e a riqueza de uma vida com os outros.

+ Um traço da santidade é a simplicidade e a humildade que sempre procuram a verdade e a gratuidade.


Por pe. Gianfranco Vianello, PIME