Os frutos da Igreja

A Igreja, escreve São Paulo, é o corpo de Cristo, a esposa de Cristo, fruto do amor redentor que a investiu: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela para torná-la santa.” (Ef 5, 25-26)


“Pois ele (Jesus) quis apresentar a si mesmo a Igreja toda bela, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Ef 5,27)

A Igreja é obra divina. Atua na história o eterno projeto do Pai: a salvação de todos, através da Páscoa de Jesus, sempre atualizada e oferecida nos sinais da sua presença salvadora através dos sacramentos. A Igreja é santa, na sua raiz, na sua Palavra (o Cristo), nos sacramentos, e reúne um conjunto de pessoas pecadoras, criaturas, contaminadas, sim!, mas chamadas à conversão.

Todos aqueles que acolhem o Filho são gerados não do sangue, nem da vontade da carne ou do homem, mas de Deus (cf. Jo 1,13), e continuam o caminho da purificação e da transformação. Dessa forma, se tornam sem mácula e ruga para espalhar ao mundo o perfume de uma presença renovada pelo Espirito, além de construir a cidade santa.


No nosso coração se enfrentam sempre o bem e o mal, o trigo e o joio, a luz e a treva, Cristo e Belzebu: a Igreja, assume em si mesma só o que é bom e puro dos seus filhos. A Igreja é esta parte de vida, de coração, dentro de nós também, que realiza a presença que nos salva, para além dos limites e fraquezas do nosso ser. (cf. Mt 13, 47-48)


A conversão é a dinâmica constante do caminho do cristão. É a passagem permanente do Espirito que nos leva a outra margem do rio onde crescem as árvores “frutíferas de toda espécie, e sua folhagem não murchará, e não cessarão jamais de dar frutos: todos os meses frutos novos, porque essas águas vêm do santuário. Seus frutos serão comestíveis e suas folhas servirão de remédio.” (Ez 47,12; Sl 1,3)


Mas é preciso remar, pois as ondas do velho homem tendem a submergir os pensamentos e as escolhas que nos conduzem ao homem novo, adulto, criado, constantemente, na justiça e santidade. (cf. Ef 4, 22-24).


O Sacramento da Reconciliação nos oferece o dom do Espírito Santo, princípio sempre ativo da redenção, força do Ressuscitado, que, pela remissão dos pecados e luz, renova a nossa mente na procura da verdade e da caridade.


O Espírito, fonte de vida nova, nos desvela a verdade mais profunda da vida cristã: “Ainda que distribuísse todos os meus bens...se não tivesse a caridade, isso de nada me adiantaria.” (1Cor,13,3). É o fruto precioso, marcado no evangelho de Mateus como medida última da nossa salvação (cf. Mt 25,31-46).


O cristão, à semelhança do Reino, é “como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou na horta: cresceu, tornou-se um arbusto, e os pássaros do céu foram fazer ninhos nos seus ramos”. (Lc 13,19) No quintal do nosso cotidiano, no jardim da sociedade, se as pessoas encontrarem alguém com os frutos da sabedoria, pois não recebemos o espirito do mundo, realizarão o sentido profundo da sua existência: “O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. (Gl 5,22-23; cf. Rm 12,9-23)


REFLEXÕES a atualizar na catequese com os jovens


+ Escreve Santo Agostinho depois da sua conversão: “Tarde te amei, Óh beleza tão antiga e tão nova! Tarde te amei. Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Retinham-me longe de Te as tuas criaturas, que não existiriam se em Ti não existissem... A tua luz afugentou a minha cegueira... Tu me tocaste e agora estou ardendo no desejo de tua paz.”


+ A Igreja, no sacramento da Reconciliação, é como aquele pai cheio de compaixão, misericórdia, amor, da parábola (Lc 15,11-24) que, contente de abraçar seu filho que esbanjou a sua vida em pensamentos, gestos, escolhas reduzindo-se a um nível desumano, não levou em conta a consequência do seu afastamento da casa (pecado) “porque este rapaz voltou” para a casa (Igreja), onde reencontrou a sua dignidade, a sua vida. Como é a tua experiência de reconciliação?

+ Somos depositários e responsáveis por aquele convite de Deus que, no momento da criação, disse à sua criatura para que se lembrasse de estar “no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo” (Gn 2, 15). O universo, a humanidade, a sociedade, a família são os laboratórios criados para cumprir a criação iniciada por Deus.


+ Na Igreja somos estimulados a nos lembrar disso, sendo fortalecidos pelo Espírito. Este sopra e nos abre horizontes e dimensões ainda maiores para nos tornar construtores de paz, de justiça na medida e na profundeza do Reino iniciado por Jesus. A descoberta dos talentos, dos dons, das inclinações, e da coragem de frutificá-los pelo bem dos outros é sua tarefa de suma importância.


Por Pe. Gianfranco Vianello, PIME